segunda-feira, 28 de maio de 2012

Romance SENHORA - Aurélia, exemplo de grande empreendedora e administradora




Romance “Senhora”, de José de Alencar


O escritor José de Alencar foi um dos primeiros escritores românticos do Brasil. Autor de grandes obras marca o romantismo brasileiro com a personagem de Aurélia Camargo, em Senhora. Esta obra retrata o amor acima das dificuldades, pois Aurélia é uma jovem bela que luta por seus sonhos e ideais, mesmo após ser traída.

A jovem Aurélia Camargo, moça de origem humilde, torna-se rica após receber a herança do avô, aos l8 anos, quando é apresentada à sociedade do Rio de Janeiro. Dona de uma esplendorosa beleza, Aurélia encanta a todos. Tendo ficado órfã de mãe há pouco tempo, tem em sua companhia uma parenta viúva, D. Firmina Mascarenhas, mas é Aurélia quem governa a casa como bem entende.
A mãe de Aurélia, Emília era casada com um médico pobre, Pedro Camargo, filho natural de um rico fazendeiro, Lourenço de Sousa Camargo, que desconhece o casamento do filho. Este parte para a fazenda paterna, mas não tendo coragem para enfrentá-lo, envia cartas amorosas à esposa e dinheiro para seu sustento. Após um ano de separação, o casal se reencontra, e desse reencontro, nasce o primeiro filho do casal, Emílio, que o pai só conhece aos dois meses de idade. Passam a viver algumas semanas juntos e outras separados. Nasce a segunda filha, Aurélia.
Aurélia, na infância, leva vida modesta em companhia da mãe e do irmão, jovem fraco que é ajudado em seu trabalho de pela irmã. Morto o irmão, a mãe devota todo seu amor para Aurélia, ela preocupa-se com o destino da filha, que precisa se casar, Aurélia atende aos apelos. Vários candidatos aparecem inclusive o tio Lemos irmão de sua mãe e ela o repele.
É Fernando Seixas que conquista a atenção de Aurélia, passa a freqüentar-lhe a casa, porém, sentindo-se constrangido em namorar moça tão pobre. O senhor Lemos resolve interferir nos acontecimentos e ao encontrar o pai de Adelaide Amaral lhe fala sobre as vantagens do casamento da moça, já prometida a outro, com Seixas. O pai que não gosta do pretendente da filha, pois o mesmo é pobre decide ajeitar o casamento de Adelaide com Seixas. O rapaz apesar de amar Aurélia vê mais vantagens no casamento com Adelaide e aceita a proposta do pai da moça que lhe oferece como dote 30 contos de réis.
O jovem Seixas vai se afastando cada vez mais da casa de Aurélia, a moça fica muito infeliz, por outro lado, reencontra o avô, que decidira reconhecer mãe e filha. Desafortunadamente, tanto a mãe quanto o avô logo falecem. Um comerciante visita Aurélia e lhe traz o testamento de Lourenço de Sousa Camargo, reconhecendo-a como sua herdeira universal, lhe apresentando uma lista de seus bens e explicando sobre os negócios pendentes.
Os parentes, antes distantes, tão logo sabem sobre a herança, correm para vê-la, inclusive o tio Lemos que consegue ser nomeado seu tutor. Mas Aurélia sabe como conduzir seus negócios, pois a mesma aprendeu quando ajudava seu irmão.
Aurélia solicita de seu tutor ajuda para conseguir um marido, o escolhido é Seixas que ela conheceu quando ainda era pobre, seu tutor faz a proposta de casamento a Seixas lhe oferecendo 100 contos de réis que o mesmo aceita sem que lhe seja revelado quem é sua noiva.
O casamento de Aurélia e Seixas é uma farsa, eles vivem separados, e a esposa na intimidade vive humilhando o cônjuge. Fernando, todavia, trabalha e realiza um negócio que lhe permite levantar o dinheiro que devia a Aurélia. Desse modo, propõe-se a restituir-lhe a quantia em troca da separação. Considerando o gesto uma prova da regeneração de Fernando, Aurélia, que nunca deixara de amá-lo, é vencida pelo amor, o que leva à consumação do casamento.

O romance apresentado surgiu no final do século XVIII. Onde o autor José de Alencar, usou como tema básico do livro o casamento por interesse devido o recebimento de uma herança e a discutível moral burguesa.
Nota-se a crítica de Alencar à sociedade daquela época, que não admitia a emancipação e as moças se faziam acompanhar pelos pais ou parentes.
José de Alencar, por sua vez, utiliza na literatura o "Casamento", sendo um retrato fiel de posições políticas e sociais. Ele defendia o "casamento" entre o nativo e o europeu colonizador, numa troca de favores: uns ofereciam a natureza virgem, um solo esplêndido; outros a cultura.
Mostrando um jogo de interesses, onde, retrata-se a sociedade imperial carioca da época, ”o Rio de Janeiro do Segundo Reinado”. Na trama do romance Senhora, há uma situação invertida. No romance, um homem se vende a uma mulher, com todas as formalidades comerciais, dinheiro, documentação, assinatura e posse da mercadoria.
Dessa forma, pode-se perceber como a evolução da condição feminina foi bastante lenta e no Brasil teve marcos básicos, dentre os quais pode-se citar o Estatuto da Mulher Casada, que alterou o Código Civil; a Consolidação das Leis do Trabalho; a Consolidação das Leis da Previdência Social e as anteriores Cartas Magnas culminando com a atual Constituição Federal.
À mulher não era permitido estudar e aprender a ler. Nas escolas, administradas pela igreja, somente lhes eram ensinadas técnicas manuais e domésticas. Esta ignorância lhe era imposta de forma a mantê-la subjugada desprovendo-a de conhecimentos que lhe permitissem pensar em igualdade de direitos. Era educada para sentir-se feliz como "mero objeto" porquanto só conhecia obrigações.
Com a mudança da Corte portuguesa para o Brasil foram abertas algumas escolas não religiosas onde as mulheres podiam estudar, entretanto, restritas aos conhecimentos de trabalhos manuais, domésticos e a gramática do português de Portugal a nível do antigo primário.
Com a Constituição de 1824 surgiram escolas destinadas à educação da mulher, mas, ainda, voltada a trabalhos manuais, domésticos, cânticos e ensino brasileiro de instrução primária. Ainda era vedado que mulheres freqüentassem escolas masculinas. A vedação da mulher ao conhecimento escolar tinha dois motivos básicos, em primeiro lugar o convívio entre homens e mulheres, o que, segundo a igreja, poderia provocar relacionamentos espúrios, e, em segundo lugar porque sendo a instrução dada aos homens em nível mais elevado, não poderiam mulheres freqüentar as mesmas escolas. Somente no início do século XX foi permitido que homens e mulheres estudassem juntos.

Assim, o romance "Senhora" é um clássico da literatura brasileira. Uma história de "amor às avessas", com muito drama e muita crítica. O livro faz diversas críticas sociais, criticando a ganância, a vaidade, a falsidade e etc. Porém, o clímax da história toda está em volta do casamento por dinheiro e a posição de subserviência da mulher.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALENCAR, José de. Senhora. 1ª Ed. São Paulo: Editora Rideel, 1997.

PILETTI, Nelson e PILETTI, Claudino. História e Vida, V2. São Paulo: Ática, 1995. P. 93, 94 e 95.

terça-feira, 3 de maio de 2011

DIDÁTICA: UMA REVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO


Qualquer reflexão teórica a respeito da história da educação reporta necessariamente à história da formação do Estado e ao movimento dos processos de democratização das sociedades modernas. A dissociação do Estado em relação à figura do rei (democratização social), a laicização da cultura e dos conhecimentos e as transformações dos modos de produção e divisão do trabalho, foram e permanecem sendo constituintes de universos culturais e simbólicos, cujos desdobramentos e concretização, vêm impondo maior complexidade e diversidade à organização societária dos Estados modernos, que por sua vez, acabam por conformar os objetivos e a dinâmica organizacional dos sistemas educacionais.
Independente de qualquer força que pretenda se contrapor ao livre desenrolar do processo está nascendo uma nova instituição educacional. Nova, sob qualquer aspecto a ser considerado, representa a superação da escola ainda dominante em nosso tempo. O movimento que lhe é imanente deve ser saudado como encorajador, pois, além de subverter a velha organização do trabalho didático, pela incorporação de novos recursos tecnológicos, pressiona a instituição escolar a assumir, novas e significativas funções sociais que a sociedade vem lhe impondo.
Enfatizando, essa instituição educacional emergente não agrega, simplesmente, novos instrumentos aos recursos didáticos da superada escola que conhecemos nem se restringe à formação intelectual. Mas, para exercer o trabalho didático, agora sob uma forma contemporânea, e as funções sociais reclamadas pelo novo tempo, necessita apoiar-se em soluções originais, que mudam todas as referências para a formação de cidadãos e de profissionais especializados e exigem a formulação de novas concepções de espaço educacional e de arquitetura educacional.
O foco de toda essa discussão reside em provocar os educadores a refletirem sobre seu trabalho docente que, mesmo num cenário de adversidades, necessita de formação continuada, permitindo que os conhecimentos da sua disciplina sejam significativos para a formação de sujeitos críticos e empoderados. Dessa forma, nossos alunos terão muito mais do que um diploma, mas sim, o acesso a um conjunto de saberes que efetivamente os prepare para os dilemas e desafios da sociedade contemporânea.

domingo, 17 de abril de 2011

SOCIOLOGIA

      Sociologia é uma das Ciências Humanas que tem como objetos de estudo a   sociedade, a sua organização social e os processos que interligam os indivíduos em grupos, instituições e associações. Enquanto a Psicologia estuda o indivíduo na sua singularidade, a Sociologia estuda os fenômenos sociais, compreendendo as diferentes formas de constituição das sociedades e suas culturas.
O termo Sociologia foi criado por Auguste Comte em 1838 (séc. XVIII), que pretendia unificar todos os estudos relativos ao homem — como a História, a Psicologia e a Economia. Mas foi com Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber que a Sociologia tomou corpo e seus fundamentos como ciência foram institucionalizados.
A Sociologia surgiu como disciplina no século XVIII, como resposta acadêmica para um desafio que estava surgindo: o início da sociedade moderna. Com a Revolução Industrial e posteriormente com a Revolução Francesa (1789), iniciou-se uma nova era no mundo, com as quedas das monarquias e a constituição dos Estados nacionais no Ocidente. A Sociologia surge então para compreender as novas formas das sociedades, suas estruturas e organizações.
A Sociologia tem a função de, ao mesmo tempo, observar os fenômenos que se repetem nas relações sociais – e assim formular explicações gerais ou teóricas sobre o fato social –, como também se preocupa com eventos únicos, como por exemplo, o surgimento do capitalismo ou do Estado Moderno, explicando seus significados e importância que esses eventos têm na vida dos cidadãos.
Como toda forma de conhecimento intitulada ciência, a Sociologia pretende explicar a totalidade do seu universo de pesquisa. O conhecimento sociológico, por meio dos seus conceitos, teorias e métodos, constituem um instrumento de compreensão da realidade social e de suas múltiplas redes ou relações sociais.
Os sociólogos estudam e pesquisam as estruturas da sociedade, como grupos étnicos, classes sociais, gênero, violência, além de instituições como família, Estado, escola, religião etc.
Além de suas aplicações no planejamento social, na condução de programas de intervenção social e no planejamento de programas sociais e governamentais, o conhecimento sociológico é também um meio possível de aperfeiçoamento do conhecimento social, na medida em que auxilia os interessados a compreenderem mais claramente o comportamento dos grupos sociais, assim como a sociedade como um todo. Sendo uma disciplina humanística, a Sociologia é uma forma significativa de consciência social e de formação de espírito crítico.
A Sociologia nasce da própria sociedade, e por isso mesmo essa disciplina pode refletir interesses de alguma categoria social ou ser usado como função ideológica, contrariando o ideal de objetividade e neutralidade da ciência. Nesse sentido, se expõe o paradoxo das Ciências Sociais, que ao contrário das ciências da natureza, as ciências da sociedade estão dentro do seu próprio objeto de estudo, pois todo conhecimento é um produto social. Se a priori isso é uma desvantagem para a Sociologia, num segundo momento percebemos que a Sociologia é a única ciência que pode ter a si mesma com objeto de indagação crítica.
Pode-se entender a Sociologia como uma das manifestações do pensamento moderno. Desde Copérnico, a evolução do pensamento era exclusivamente científico. A sociologia veio preencher a lacuna do saber social, surgindo após, a constituição das ciências naturais e de várias ciências sociais. A sua formação constitui um acontecimento complexo para o qual concorreram circunstâncias históricas e intelectuais e intenções práticas. O seu surgimento ocorre num momento histórico determinado, coincidente com os últimos momentos da desagregação da sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista.
A criação da sociologia não é obra de um só filósofo ou cientista, mas o trabalho de vários pensadores empenhados em compreender as situações novas de existência que estavam em curso.
As transformações econômicas, políticas e culturas verificadas no século XVII, marca de forma indelével a Sociologia. As revoluções industrial e a francesa patrocinaram a instalação definitiva da sociedade capitalista. Somente por volta de 1830, um século depois, surgiria a palavra Sociologia, fruto dos acontecimentos das duas revoluções citadas. A Revolução Industrial, à parte a introdução da máquina a vapor e os aperfeiçoamentos dos métodos produtivos, determinou o triunfo da indústria capitalista pela concentração e controle de máquinas, terras e ferramentas onde as massas humanas eram simples trabalhadores despossuídos. Cada passo da sociedade capitalista capitaneava a desintegração e o solapamento de instituições e costumes reinantes, para constituir-se em novas formas de organização social. As máquinas não simplesmente destruíam os pequenos artesãos, como os obrigava à forte disciplina, nova conduta e relação de trabalho até então desconhecidas. Em 80 anos (entre 1780 e 1860), a Inglaterra conseguiu mudar radicalmente a sua face. Pequenas cidades passaram a grandes cidades produtoras e exportadoras. Estas bruscas transformações implicaram em nova organização social, pela transformação da atividade artesanal em manufatureira e fabril, como também pela emigração do campo para a cidade onde mulheres e crianças em jornadas de trabalho desumana percebiam salários de subsistência e constituía-se em mais da metade da força de trabalho industrial. Estas cidades se transformaram num verdadeiro caos, uma vez que sem condições para suportar um vertiginoso crescimento, deram lugar a toda sorte de problemas sociais, tais como, surtos de epidemias de tifo e cólera, vícios, prostituição, criminalidade, infanticídio que dizimaram parte das suas populações.
O fenômeno da Revolução Industrial determinou o aparecimento do proletariado e o papel histórico que ele desempenharia na sociedade capitalista. Os seus efeitos catastróficos para a classe trabalhadora geraram sentimentos de revolta traduzidos externamente na forma de destruição de máquinas, sabotagens, explosão de oficinas, roubos e outros crimes, que deram lugar à criação de associações livres e sindicatos que permitiram o diálogo de classes organizadas, cientes de seus interesses com os proprietários dos instrumentos de trabalho.
Estes importantes acontecimentos e as transformações sociais verificadas despertaram a necessidade de investigação. Os pensadores ingleses que testemunhavam estas transformações e com elas se preocupavam não eram sociólogos profissionais. Eram homens de atitude que desejavam introduzir determinadas modificações na sociedade. Participavam de debates ideológicos onde estavam presentes correntes conservadoras, liberais e socialistas, visando orientação de ações para conservar, modificar radicalmente ou reformar a sociedade de seu tempo. Isto quer dizer que os precursores da sociologia se encontravam entre militantes políticos e entre as pessoas que se preocupavam com os problemas sociais. Entre eles estavam os pensadores: Owen (1771-1858), William Thompson (1775-1833), Jeremy Bentham (1748-1832), etc., cujos escritos foram de importância capital para a formação e constituição de um saber sobre a sociedade. A Sociologia constitui uma resposta intelectual às novas situações colocadas pela Revolução Industrial, como por exemplo, a situação dos trabalhadores, o aparecimento das cidades industriais, as transformações tecnológicas, a organização do trabalho na fábrica, etc. É a formação e uma estrutura social específica – a sociedade capitalista – que impõe uma reflexão sobre a sociedade, suas transformações, suas crises, e sobre seus antagonismos de classe.
A observação e o experimento como fontes da exploração dos fenômenos da natureza propiciaram a acumulação de fatos. O relacionamento entre estes, possibilitou o seu controle e domínio. O pensamento filosófico do século XVII contribuiu para popularizar os avanços do pensamento científico.
O uso sistemático da razão, do livre exame da realidade, representou um grande salto para libertar o conhecimento do controle científico, da tradição, da “revelação” e, conseqüentemente, para a formulação de uma nova atitude intelectual diante dos fenômenos da natureza e da cultura.
Se no século XVIII os dados estatísticos voavam, dando conta de uma produtividade desconhecida, o pensamento social também divagava rumo a novas descobertas. Se o processo histórico possui lógica, pode ser compreendido e assim abrir novas pistas para o estudo racional da sociedade. É o homem que produz a história. Daí, a afirmação que a sociedade podia ser compreendida porque, ao contrário da natureza, ela constitui obra dos próprios homens.
Esta postura influenciou os historiadores escoceses da época, como David Hume (1711-1776) e Adam Ferguson (1723-1816), e seria posteriormente desenvolvida e amadurecida por Hegel e Marx. Foi também dessa época a disposição de tratar a sociedade a partir do estudo de seus grupos e não dos indivíduos isolados, em cuja corrente pertencia Adam Ferguson que foi influenciado pelas idéias de Bacon de que é a indução, e não a dedução, que nos revela a natureza do mundo, e a importância da observação enquanto instrumento para a obtenção do conhecimento. É a intensidade dos conflitos entre as classes dominantes da sociedade feudal e a burguesia revolucionária que leva os filósofos, seus representantes intelectuais, a atacarem de forma impiedosa a sociedade feudal e sua estrutura de conhecimento, e a negarem abertamente a sociedade existente.
Os iluministas, enquanto ideólogos da burguesia, com posições revolucionárias, atacavam firmemente os fundamentos da sociedade feudal e seus privilégios e as restrições que esta impunha aos interesses econômicos e políticos da burguesia.
Combinando o uso da razão e da observação, os iluministas analisaram quase todos os aspectos da sociedade (população, comércio, religião, moral, família, etc.). O objetivo do estudo era demonstrar que as instituições eram irracionais e injustas, que atentavam contra a natureza dos indivíduos e impediam a liberdade do homem, por isso deviam ser eliminadas. Para eles o indivíduo possuía razão, perfeição inata e era destinado à liberdade e à igualdade social. Reivindicavam a liberação do indivíduo de todos os laços sociais tradicionais, tal como as corporações, a autoridade feudal, etc.
O visível progresso das formas de pensar, fruto das novas maneiras de pensar e viver contribuía para afastar interpretações fundadas em superstições e crenças infundadas e abria espaço para a constituição de um saber sobre os fenômenos histórico-sociais. O “homem comum” da época também passou a deixar de encarar, cada vez mais, as instituições sociais, as normas, como fenômenos sagrados e imutáveis submetidos a forças sobrenaturais, percebendo-os como produtos da atividade humana passíveis de serem conhecidos e mudados.
A ferrenha crítica dos iluministas às instituições feudais constituía-se em claro indício da putrefação da luta que a burguesia travava no plano político contra a classe feudal dominante. Na França, as forças burguesas ascendentes colidiam com a típica monarquia absolutista que privilegiava aproximadamente quinhentas mil pessoas em detrimento de vinte e três milhões de habitantes, no final do século XVIII. Estes privilégios incluíam isenção de impostos, direito de receber tributos feudais e impedia a formação de livre-empresa e a exploração eficiente da terra e incapaz de criar uma administração padronizada através de uma política tributária racional e imparcial. A burguesia, ao tomar o poder em 1789, insurgiu-se definitivamente contra os fundamentos da sociedade feudal, ao construir um Estado que assegurasse sua autonomia diante da Igreja e que incentivasse e protegesse a empresa capitalista. Aconteceu aí uma liquidação do regime antigo. Em menos de um ano a antiga estrutura e o Estado monárquico estavam liquidados, inclusive abolindo radicalmente a antiga forma de sociedade e suas tradicionais instituições, arraigados costumes e hábitos, promovendo sensíveis alterações na economia, na política e na vida cultural. Neste contexto se situam a abolição das corporações e dos grêmios e a promulgação de legislação que limitava os poderes patriarcais na família, coibindo os abusos da autoridade do pai e forçando-o a uma divisão igualitária da propriedade. Confiscou propriedades da Igreja, suprimiu os votos monásticos e responsabilizou o Estado pela educação. Acabou com antigos privilégios de classe e amparou e incentivou o empresário.
O choque da revolução foi tão intenso, que após quase setenta anos de seu triunfo, o pensador francês Alexis de Tocqueville disse dela: “A revolução segue seu curso: à medida que vai aparecendo a cabeça do monstro, descobre-se que, após ter destruído as instituições políticas, ela suprime as instituições civis e muda, em seguida, as leis, os usos, os costumes e até a língua; após ter arruinado a estrutura do governo, mexe nos fundamentos da sociedade e parece querer agredir até Deus...” Este espanto também foi partilhado por outros como Durkheim, Sant-Simon, Comte, Le Play, etc.
Alguns sociólogos encararam o capitalismo com otimismo, identificando os valores e os interesses da elite como representativos do conjunto da sociedade. Partindo da percepção desses estudiosos, o funcionamento eficiente das instituições políticas e econômicas é um fenômeno essencial e as lutas de classe não passam de acontecimentos transitórios. Essa tradição sociológica que se colocou a favor da ordem instituída pelo capitalismo teve como base o pensamento conservador.

A sociologia contemporânea discrepa, a seu modo, das tentativas explicativas que a antecederam. O seu próprio desenvolvimento deu-se pelo acúmulo de teorias, mesmo de métodos e técnicas, estudos e esforços, desenvolvendo-se pensamentos, com ou sem rompimentos. A ciência avança à medida que não se faz singular. Singular talvez jamais o tenha sido, porém. Surge, sim, como ciências. Surge pelo processo que pode ser chamado pluralização enfática, dada a quaisquer ciências plurais. Avançou coadunada, tênue nas suas fronteiras dentro das ciências sociais. Mas fez-se a si construindo seu próprio escopo, ainda que às vezes o empréstimo e a cópia se revelem inevitáveis e notórios como no próprio processo científico. Mas parece perceptível seu delimite.
A sociologia desdobrou-se, fez-se afluente dentro das ciências humanas e sociais. E, como toda a ciência, seguiu métodos. Dogmatizou alguns, é verdade, mas ainda assim tantos de seus contribuintes se fizeram plurais e personalizadores.
A sociologia contemporânea parece se apresentar como um desdobramento inteligível, como outras ciências. De modo que, ao reconhecer uma obra, deve-se perguntar sempre: quais suas dúvidas? Depois que elas foram identificadas, poder-se-á dizer, mas não com sossego e descanso, que elas seguem uma lógica imanente que as conformou tais e quais.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Análise da música de Chico Buarque - Umas e Outras


Umas e Outras




Chico Buarque



 Se uma nunca tem sorriso
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar
A vida é feita de um rosário                                                
RELIGIOSA
Que custa tanto a se acabar                                                
- MUNDO RELIGIOSO
Por isso às vezes ela pára
E senta um pouco pra chorar

 
Que dia! Nossa, pra que tanta conta         LAMENTAÇÃO
Já perdi a conta de tanto rezar






Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância, não
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança                                           
PROSTITUTA
Onde não se escolhe o par                                                  
- MUNDO MATERIAL
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Puxa, que vida danada
          LAMENTAÇÃO
Tem tanta calçada pra se caminhar


 




                                 
 
 Mas toda santa madrugada                       RELIGIOSA             - ANTÍTESE
Quando uma já sonhou com Deus                                          - OCULTA SOLIDÃO
E a outra, triste enamorada
Coitada, já deitou com os seus                 
PROSTITUTA
O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor

Que dia! Nossa, pra que tanta conta
Já perdi a conta de tanto rezar
Que dia! Puxa, que vida danada                            
LAMENTAÇÃO
Tem tanta calçada pra se caminhar                   
Que dia! Cruzes, que vida comprida                     

Pra que tanta vida pra gente desanimar                


- VOLTA AO NEO-CLASSICISMO
- AS EMOÇÕES DA MULHER ESTÃO ACIMA DAS SUAS LAMENTAÇÕES

O texto estrutura-se em torno de uma figura de estilo: a antítese.
Ocorre também a tentativa de sintetizar elementos opostos: o mundo material com o mundo espiritual.
Esta é uma das características predominantes do Barroco, a busca da síntese entre matéria e espírito.
Nas últimas estrofes encontra-se também o pessimismo; A mulher religiosa e a prostituta demonstram insatisfação em relação às suas vidas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

LÍNGUA PORTUGUESA - PERÍODO HISTÓRICO DO SÉCULO XII


A cultura trovadoresca, surgida entre os séculos XI e XII, reflete bem o momento histórico que caracteriza o período: na Europa cristã, a organização das Cruzadas em direção ao Oriente; na Península Ibérica, a luta contra os mouros; o poder descentralizado e as relações entre os nobres determinados pelo feudalismo; o poder espiritual em mãos do clero católico, detentor da cultura e responsável pelo pensamento teocêntrico (Deus como centro de todas as coisas).
O Trovadorismo predomina como estilo de época na Idade Média.
A organização social da época tinha no comando a nobreza e o clero, muito unidos por interesses ideológicos. No topo, a figura do rei: intermediário entre Deus e seu povo.
O sistema político, social e econômico da época é conhecido como feudalismo. O nome deriva da palavra feudo, que consistia de uma aldeia e centenas de acres de terra arável que a circundavam. Nessas terras, o povo trabalhava.
O senhor feudal, era dono das terras e das pessoas que nela trabalhavam. Sendo assim, conservava o poder sobre a força de trabalho dessas. Por isso, o povo vivia sob regime de servidão. 
Para proteger sua propriedade, o senhor feudal contratava guerreiros que eram pagos não em dinheiro, mas através de concessão de terras.
Surgiu daí um sistema de compensação: o guerreiro protegia o feudo e o senhor fornecia-lhe pequenas extensões de terra.
Desse sistema despontou a figura do vassalo que vivia sob a dependência do senhor e do qual o senhor também dependia para manter sua segurança, fortuna e prestígio. A essa dependência entre senhor e vassalo dá-se o nome de vassalagem.
A influência da Igreja tinha grande força sobre o comportamento das pessoas. Segundo a Igreja, o mundo terreno era considerado apenas como um espaço de preparação para a vida eterna. Por esse motivo vivia-se em função da morte. A renuncia aos bens materiais e aos prazeres mundanos era a condição exigida para alcançar a salvação eterna. A salvação da alma constituía-se na preocupação maior do homem medieval.
A Igreja domina o mundo e os valores da religião cristã impregnam todos os aspectos da vida medieval, inclusive a literatura.
O século XII marca o início da literatura portuguesa...

A DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA DA FOLHA DE PAGAMENTO

   A desoneração tributária da folha de pagamento (COFINS, PIS-pasep, salário-educação e CSLL) pode, por um lado, estimular a produção/renda...