Umas e Outras
Chico Buarque
Se uma nunca tem sorriso
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar
A vida é feita de um rosário RELIGIOSA
Que custa tanto a se acabar - MUNDO RELIGIOSO
Por isso às vezes ela pára
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Nossa, pra que tanta conta LAMENTAÇÃO
Já perdi a conta de tanto rezar
Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância, não
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança PROSTITUTA
Onde não se escolhe o par - MUNDO MATERIAL
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Puxa, que vida danada LAMENTAÇÃO
Tem tanta calçada pra se caminhar
Mas toda santa madrugada RELIGIOSA - ANTÍTESE
Quando uma já sonhou com Deus - OCULTA SOLIDÃO
E a outra, triste enamorada
Coitada, já deitou com os seus PROSTITUTA
O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor
Que dia! Nossa, pra que tanta conta
Já perdi a conta de tanto rezar
Que dia! Puxa, que vida danada LAMENTAÇÃO
Tem tanta calçada pra se caminhar
Que dia! Cruzes, que vida comprida
Pra que tanta vida pra gente desanimar
- VOLTA AO NEO-CLASSICISMO
- AS EMOÇÕES DA MULHER ESTÃO ACIMA DAS SUAS LAMENTAÇÕES
Já perdi a conta de tanto rezar
Que dia! Puxa, que vida danada LAMENTAÇÃO
Tem tanta calçada pra se caminhar
Que dia! Cruzes, que vida comprida
Pra que tanta vida pra gente desanimar
- VOLTA AO NEO-CLASSICISMO
- AS EMOÇÕES DA MULHER ESTÃO ACIMA DAS SUAS LAMENTAÇÕES
O texto estrutura-se em torno de uma figura de estilo: a antítese.
Ocorre também a tentativa de sintetizar elementos opostos: o mundo material com o mundo espiritual.
Esta é uma das características predominantes do Barroco, a busca da síntese entre matéria e espírito.
Nas últimas estrofes encontra-se também o pessimismo; A mulher religiosa e a prostituta demonstram insatisfação em relação às suas vidas.
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