terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Análise da música de Chico Buarque - Umas e Outras


Umas e Outras




Chico Buarque



 Se uma nunca tem sorriso
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar
A vida é feita de um rosário                                                
RELIGIOSA
Que custa tanto a se acabar                                                
- MUNDO RELIGIOSO
Por isso às vezes ela pára
E senta um pouco pra chorar

 
Que dia! Nossa, pra que tanta conta         LAMENTAÇÃO
Já perdi a conta de tanto rezar






Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância, não
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança                                           
PROSTITUTA
Onde não se escolhe o par                                                  
- MUNDO MATERIAL
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Puxa, que vida danada
          LAMENTAÇÃO
Tem tanta calçada pra se caminhar


 




                                 
 
 Mas toda santa madrugada                       RELIGIOSA             - ANTÍTESE
Quando uma já sonhou com Deus                                          - OCULTA SOLIDÃO
E a outra, triste enamorada
Coitada, já deitou com os seus                 
PROSTITUTA
O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor

Que dia! Nossa, pra que tanta conta
Já perdi a conta de tanto rezar
Que dia! Puxa, que vida danada                            
LAMENTAÇÃO
Tem tanta calçada pra se caminhar                   
Que dia! Cruzes, que vida comprida                     

Pra que tanta vida pra gente desanimar                


- VOLTA AO NEO-CLASSICISMO
- AS EMOÇÕES DA MULHER ESTÃO ACIMA DAS SUAS LAMENTAÇÕES

O texto estrutura-se em torno de uma figura de estilo: a antítese.
Ocorre também a tentativa de sintetizar elementos opostos: o mundo material com o mundo espiritual.
Esta é uma das características predominantes do Barroco, a busca da síntese entre matéria e espírito.
Nas últimas estrofes encontra-se também o pessimismo; A mulher religiosa e a prostituta demonstram insatisfação em relação às suas vidas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

LÍNGUA PORTUGUESA - PERÍODO HISTÓRICO DO SÉCULO XII


A cultura trovadoresca, surgida entre os séculos XI e XII, reflete bem o momento histórico que caracteriza o período: na Europa cristã, a organização das Cruzadas em direção ao Oriente; na Península Ibérica, a luta contra os mouros; o poder descentralizado e as relações entre os nobres determinados pelo feudalismo; o poder espiritual em mãos do clero católico, detentor da cultura e responsável pelo pensamento teocêntrico (Deus como centro de todas as coisas).
O Trovadorismo predomina como estilo de época na Idade Média.
A organização social da época tinha no comando a nobreza e o clero, muito unidos por interesses ideológicos. No topo, a figura do rei: intermediário entre Deus e seu povo.
O sistema político, social e econômico da época é conhecido como feudalismo. O nome deriva da palavra feudo, que consistia de uma aldeia e centenas de acres de terra arável que a circundavam. Nessas terras, o povo trabalhava.
O senhor feudal, era dono das terras e das pessoas que nela trabalhavam. Sendo assim, conservava o poder sobre a força de trabalho dessas. Por isso, o povo vivia sob regime de servidão. 
Para proteger sua propriedade, o senhor feudal contratava guerreiros que eram pagos não em dinheiro, mas através de concessão de terras.
Surgiu daí um sistema de compensação: o guerreiro protegia o feudo e o senhor fornecia-lhe pequenas extensões de terra.
Desse sistema despontou a figura do vassalo que vivia sob a dependência do senhor e do qual o senhor também dependia para manter sua segurança, fortuna e prestígio. A essa dependência entre senhor e vassalo dá-se o nome de vassalagem.
A influência da Igreja tinha grande força sobre o comportamento das pessoas. Segundo a Igreja, o mundo terreno era considerado apenas como um espaço de preparação para a vida eterna. Por esse motivo vivia-se em função da morte. A renuncia aos bens materiais e aos prazeres mundanos era a condição exigida para alcançar a salvação eterna. A salvação da alma constituía-se na preocupação maior do homem medieval.
A Igreja domina o mundo e os valores da religião cristã impregnam todos os aspectos da vida medieval, inclusive a literatura.
O século XII marca o início da literatura portuguesa...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PROFESSOR: PROFISSÃO QUE ENOBRECE E ADOECE...


Mais um dia dos professores. Com alegria e melancolia.
Alegria porque é sim uma profissão maravilhosa. Cheia de satisfações..
Melancolia, porque é também cheia de frustações e lamúrias...
Você observa os professores que conhece e olha pra eles como fracassados; como se não tivessem conseguido fazer mais nada na vida. Todos acham uma profissão nobre, mas ninguém a deseja para seus filhos.
Alguns dizem que já foi uma profissão muito valorizada! Para mocinhas delicadas que procuravam um bom marido?
Não sou Tia e nem professorinha... Sou PROFESSORA !!!
Trabalho mergulhada no universo infantil; um mergulho dedicamente planejado para alcançar o aprendizado das crianças.
Educação é ciência. Tem planejamento, método, estratégia, hipótese, avaliação.
Trabalhamos com dificuldade. Não é à toa que tantos professores estão doentes quando não fisicamente , emocionalmente estagnados pelo conformismo e desmotivação.
Há razões para isso que vão além da falta de uma formação qualificada. Os professores se tornaram profissionais de segunda linha,marginalizados. Valem menos, ganham pouco. São ansiosos e estressados. Isso porque o dia-a-dia de uma escola é cansativo e carregado. Uma responsabilidade imensa está sobre seus ombros e quem quiser ter sucesso tem que caminhar com as próprias pernas, suportando o que houver. Ás vezes isso envolve assédios morais, pequenas corrupções, violência física e moral.
Se você quer ser um professor competente e inovador, deve se virar como pode; comprar material para incrementar suas aulas, usar o seu tempo livre para planejar, pesquisar e prepará-las correndo o risco de ser mal visto por outros colegas por essa iniciativa. Afinal, é um paradoxo: quanto mais fazemos coisas de forma “voluntariosa” para atingirmos o objetivo traçado por nossos planejamentos, mas reforçamos a ideia muito presente na sociedade de que a profissão exige uma espécie de “sacerdócio”. Ao mesmo tempo, se não fazemos tudo isso e trabalhamos apenas com a estrutura que nos é oferecida pelo sistema educacional somos vistos como “mal formados” ou com pouca “força de vontade”.
Essa é a realidade do professor. Tantas coisas dão errado que o profissional não consegue sequer enxergar que teve sucessos. Lida apenas com a frustração e a culpa que são enormes.
Ninguém é capaz de educar sozinho em uma sala de aula; a escola toda educa; a sociedade educa; a família educa, a televisão educa. Mas só os professores são responsabilizados pelo insucesso na educação das crianças e jovens.
Você ensina conteúdos e valores todos os dias. Sofre com a carga emocional que lhe é depositada pelos alunos que muitos vezes têm em você o único referencial de adulto. E ao sair pela porta da escola a sociedade ensina que quem é mais esperto leva a melhor, que a injustiça é a pauta nossas relações e que estudar é uma tarefa inútil e cansativa.
"Mas a culpa é dos professores". A revista semanal não perde a oportunidade de dizer o quanto os professores são incompetentes, equivocados e acomodados.
"Mas o professor não ganha um “bônus” se não faltar e se o aluno aprender?"
E para o aluno aprender é preciso apenas ter um professor na sala ( mesmo que esteja doente, que um parente tenha morrido ou que esteja emocionalmente comprometido)? De novo, a responsabilidade é unicamente do professor, independente das condições que lhe são oferecidas para realizar o seu trabalho... 
Ainda assim, estou há quase 15 anos na educação, sempre traballhando na sala de aula. Trabalho que amo e odeio. Que me orgulha e me envergonha.
Tenho muitos amigos educadores, das mais variadas faixas etárias e penso o que seria de mim ao alcançar os 25 anos que me garantiriam uma aponsentadoria especial. Os que chegam nessa etapa garantindo sua sanidade mental são realmente vitoriosos.
 Alguns colegas que alcançaram ou estão prestes a alcançar essa vitória me inspiram. São mais do que guerreiros de verdade, são sobreviventes.
O trabalho na sala de aula é prejudicial à saúde: As condições físicas, estruturais, a quantidade excessiva de alunos por turma , de ruídos, de malefícios à saúde são incalculáveis...
Outros  colegas estão começando sua trajetória  e trazem a esperança e força de vontade estampados num brilho no olhar que me emociona e entristece, pois me lembra que ao longo desses anos vi morrer esse brilho nos olhos de muitos e sinto que ele se apaga nos meus olhos um pouquinho a cada dia...
Penso muito sobre como esses paradoxos e entraves que estagnam a educação brasileira poderiam ser revertidos. E ainda penso em dedicar a minha vida nessa busca.
Como podem políticas educacionais criadas em gabinetes, elaboradas por pessoas distantes da realidade das escolas ser funcional?
Os acadêmicos entram nas escolas para “ensinar” aos professores aquilo que eles já fazem todos os dias. Mas os acadêmicos acham que é pouco, que é ruim e pronto; que professor é folgado. Ignoram seus conhecimentos; esnobam suas altas formações; lidam com os professores desacreditando de forma generalizada de suas práticas e esforços...
Como os professores podem simplesmente implementar políticas que não foram discutidas por eles? Como podem aplicar inovações que não foram debatidas, adaptadas e que, geralmente  estão fora da sua realidade de trabalho e de suas ações ? Quem acredita que isso dará certo?
Por que não somos ouvidos sobre aquilo que conhecemos melhor do que ninguém, que é a realidade das escolas e das salas de aula desse país?
Ser professor no Brasil é uma tarefa árdua e sofrida.
Não é sacerdócio; não é só vocação; não é só amor;
É convicção, coragem, batalha e muito, muito trabalho.

DESCONHEÇO A AUTORIA. AUTOR FAVOR ENTRAR EM CONTATO PARA O RECEBIMENTO DOS DEVIDOS CRÉDITOS.
ESSE TEXTO REFLETE EXATAMENTE O QUE A GRANDE MAIORIA DOS PROFESSORES SENTEM NA PELE!!!!!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A DIDÁTICA E A FORMAÇÃO DE EDUCADORES

DA EDUCAÇÃO À NEGAÇÃO: A BUSCA DA RELEVÂNCIA

O processo de formação de educadores, inclui componentes curriculares criados para o tratamento de atividades educativas, da prática pedagógica. A Didática tem um papel de destaque entre estes componentes.
A análise da atuação da Didática na formação de educadores, tem levantado uma grande discussão. Alguns estudiosos afirmam que a Didática, quando não é inofensiva, pode ser prejudicial.
Para que esse assunto seja entendido deve ser estudado dentro do contexto em que se encontra, ou seja, tem que ser analisado dentro do conjunto educacional e politico social.

A Didática estuda o processo de ensino-aprendizagem, este processo está sempre presente, de forma direta ou indireta, no relacionamento humano.
De acordo com a abordagem humanista, a relação entre pessoas está no centro do processo de ensino-aprendizagem, já que, o crescimento afetivo leva ao crescimento pessoal.
Na abordagem técnica a aquisição de melhores condições de trabalho, tais como: seleção de conteúdo, novas estratégias de ensino, irão melhorar o processo de ensinar-aprender. Lembrando que esta abordagem, vista separadamente, passa a ser tecnicista.
O processo de ensino-aprendizagem está ligado ao processo político-social, porque sempre ocorre em uma cultura específica, tratando com pessoas concretas que têm posição de classe definidade na organização social em que vivem.

Vera Maria Candau relata sua experiência como professora de Didática, desde 1963. Ela cursou a Licenciatura em Pedagogia na PUC/RJ, de 1959 a 1962, no ano seguinte começou a lecionar Didática na mesma Universidade. 
O núcleo de inspiração dos primeiros trabalhos de Vera, como professora de Didática, foi a sua experiência como aluna. O tema básico, era os princípios para uma escola nova, baseados no Plano de Dalton.
No final da década de 50 e início da década de 60, o país se encontrava em discussão acerca da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que mobilizava a área educacional.
Nesse período a Didática fazia o discurso da Escola Nova, mas o problema maior estava em superar a Escola Tradicional, para reformar internamente a escola.
A Escola Nova tinha como centro de interesse o próprio aluno, ou seja, o interesse de aprendizagem partia do próprio aluno. Na Escola Nova o aluno "aprende fazendo" e "aprende a aprender", com técnicas novas, com respeito à sua individualidade.

A Escola Nova, com "humanismo moderno" teve seu predomínio em 1945 e se estendeu até 1960, a partir de 1960 a 1968, dá-se início à tendência tecnicista.
Nesse momento, o ensino da Didática assume um panorama idealista e centrado na demensão técnica do processo de ensino-aprendizagem. É considerado idealista porque a análise da prática pedagógica da maioria das escolas não é objeto de reflexão. Considerada "tradicional", justifica-se pela "ignorância" dos professores que, uma vez conhecedores dos princípios e técnicas escolanovistas, a transformariam.

Após 1964, a visão "industrial" penetra o campo da Educação e a Didática é tida como estratégia para o alcance dos "produtos" previstos para o processo de ensinar-aprender.
Na perspectiva da tecnologia educacional a Didática se centra na organização das condições no planejamento do ambiente, na elaboração dos materiais instrucionais. A objetividade e racionalidade do processo são enfatizados.

A partir da métade da década de 70, a crítica às perspectivas anteriormente assinaladas, se acentuou. Essa crítica teve aspecto positivo: a denúncia da falsa neutralidade do técnico e o desvelamento dos reais compromissos político-sociais das afirmações aparentemente "neutras" a afirmação da impossibilidade de uma prática pedagógica que não seja social e politicamente orientada de uma forma implícita ou explícita.

A afirmação da dimensão política da prática pedagógica é acompanhada da negação da dimensão técnica, vista como vinculada a uma perspectiva tecnicista.
Novamente as diferentes dimensões do processo de ensino-aprendizagem são contrapostas, a afirmação de um levando à negação das demais. Afirmar a dimensão política e estrutural da educação, supõe a negação do seu caráter pessoal.

A crítica à visão exclusivamente instrumental da Didática não pode se reduzir à sua negação. Competência técnica e competência política não são aspectos que se contrapõe. A prática pedagógica, na condição de política, exige a competência técnica. As demensões política, técnica e humana da prática pedagógica se exigem mutuamente.

De acordo com Vera Maria Candau, o desafio do momento é a superação de uma Didática exclusivamente instrumental e a construção de uma Didática fundamental. 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

POLITICAS EDUCACIONAIS

Os eixos norteadores da política educacional do Governo Militar:

- Controle político e ideológico da educação escolar, de acordo com a correlação de forças existentes em todos os níveis nas diferentes conjunturas da época;

- O estabelecimento de uma relação direta e indireta entre educação e produção capitalista, mostrando-se mais evidente na reforma do 2º grau, através da pretensa profissionalização;

- Incentivo à pesquisa ligada à acumulação de capital;

- O Descompromisso com o financiamento da educação pública e gratuita, negando o discurso da valorização da educação e concorrendo decisivamente para a corrupção e privatização do ensino, sendo transformado em negócio de grande renda subsidiado pelo Estado. Sendo assim, o regime delega e dá incentivo à participação do setor privado na expansão do sistema educacional, desqualificando a escola pública de 1º e 2º graus.

Na tentativa de melhorar o ensino superior foram criados alguns sistemas tais como: 

- A introdução de uma espécie de vestibular classificatório;
- Adoções do sistema de crédito; 
- Período letivo semestral;

A Lei nº. 5.540/68, “Lei da Reforma Universitária” foi baseada nos estudos do Relatório Atcon (Rudolph Atcon, teórico norte-americano) e no Relatório Meira Matos (coronel da escola superior de Guerra) e aprovada de cima para baixo.  A reforma acaba com a cátedra, unifica o vestibular passando a ser classificatório, aglutina as faculdades em universidade, visando uma maior produtividade com a concentração de recursos, cria o sistema de créditos, permitindo a matrícula por disciplina, além de, segundo Aranha (1996, p. 214), a nomeação dos reitores e diretores de unidade (esta agora dividida em departamentos) dispensa a necessidade de ser do corpo docente da universidade, podendo ser qualquer pessoa de prestígio da vida pública ou empresarial.
As mudanças no ensino superior brasileiro foram muitas e rápidas nos anos 60, até a localização geográfica das instituições foram alteradas, as faculdades públicas situadas nos pontos centrais das cidades foram transferidas para os campi no subúrbio, pois consideravam adequado para atenuar e apaziguar a militância política dos estudantes. Enquanto que as faculdades particulares faziam exatamente o inverso.
Mesmo com tantas mudanças no ensino superior brasileiro na década de 60, persiste a seletividade, em decorrência da dualidade do ensino, onde a elite bem preparada ocupa as vagas nas melhores universidades, restando as faculdades privadas de baixo nível para os menos privilegiados.

Assim, entende-se que são necessárias mudanças no modelo universitário hoje apresentado, porém não se pode esquecer que este modelo é resultado da reforma universitária da década de 1960 e principalmente em decorrência do modelo sócio-político-econômico adotado pelo Brasil nas últimas décadas. A reforma universitária hora proposta pelo governo atual, não contempla as reivindicações dos estudantes, professores e técnicos estando a serviço da manutenção do status quo.

sábado, 1 de janeiro de 2011

TEXTO, COERÊNCIA E COESÃO


- Halliday e Hasan (1976) afirmaram que a coesão tem a ver com o modo como o texto está estruturado semanticamente. A coesão é a relação semântica entre dois elementos do texto, de modo a ser interpretado por referência ao outro, pressupondo-o.

- Charolles (1978), afirma que coerência e linearidade textual estão relacionados, ou seja, "não se pode questionar a coerência de um texto sem levar em consideração a ordem que aparecem os elementos que o constituem.

- Widdowson (1978) diz que a coesão "é o modo pelo qual as frases ou partes delas se combinam para assegurar um desenvolvimento proposicional..." e revela-se por indices formais, sintáticos, sem apelo ao pragmático. A coerência seria a relação entre os atos ilocucionários que as proposições realizam. É diretamente ligada ao desenvolvimento ilocucional.

- Para Franck (1980), o termo coerência designa "a conexão formal e de conteúdo entre elementos sequenciais que coloca estes elementos em relação uns com os outros e os insere numa forma de organização superior como, por exemplo, nomes em uma lista, frases em texto, atos de fala numa sequência".

- Beaugrande e Dressler (1981), a coesão é a maneira como os constituintes da superfície textual se encontram relacionados entre si, numa sequência, através de marcas linguísticas; é a ligação entre os elementos superficiais do texto. Já a coerência tem como fundamento a continuidade de sentidos, dizendo respeito ao modo como os componentes do mundo textual, isto é, a configuração de conceitos e relações subjacentes à superfície  do texto, são mutuamente acessíveis e relevantes.

- Van Dijk (1981) e Van Dijk e Kintsch (1983), o termo coerência pode ser usado em sentido geral para denotar que alguma forma de relação em sentido ou unidade no discurso pode ser estabelecida.

- Bernárdez (1982), citando Salomon Marcus (1980), diz que a coerência significa uma certa capacidade de atuar como unidade e que coesão se refere à existÊncia de conexão entre as diferentes partes.

- Marcuschi (1983), a coesão refere-se à estrutura da sequÊncia superficial do texto e à sua organização linear sob o aspecto estritamente linguístico. Coerência é o resultado de processos cognitivos operantes entre os usuários de textos.

- Tannim (1984) define coesão como o conjunto de nexos da superfície textual que indicam as relações entre os elementos de um texto; e coerência, em termos de organização de estruturas subjacentes, que fazem com que palavras e sentenças componham um todo significativo para os participantes de uma ocorrência discursiva.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

LINGUÍSTICA APLICADA AO ENSINO DA LÍNGUA MATERNA (L.M.)

O aluno precisa automatizar certas operações para adquirir proficiência na leitura. Basicamente o aluno deve reconhecer a palavra, o sentido e a estrutura da mesma.
As habilidades necessárias para o desenvolvimento de domínio da língua são quatro: Ler, Ouvir, Escrever e Falar. Para que o aprendiz se torne um bom leitor é necessário que o professor trabalhe textos interessantes, que apresentem uma linguagem de fácil entendimento para o aluno e que estes textos tenham relação com o contexto na qual o aluno está inserido.
O professor pode incentivar os alunos a se tornarem bons ouvintes, mostrando a estes que eles também estão sendo ouvidos, refraseando o que foi dito pelos alunos, contendo a compulsividade em querer falar antes que o colega finalize sua fala.
Para desenvolver a habilidade da escrita o professor pode incentivar o aprendiz a escrever mais, fazendo redações, resumos, relatórios, contando histórias do seu cotidiano, até mesmo organizando a criação de livros de autoria dos alunos, o que posteriormente pode-se fazer uma exposição dos livros e lançamento dos 'novos escritores'. Valorizar esta escrita dando ao aluno o feedback (comentário avaliativo), que deixe o aprendiz ciente de que seu trabalho escrito está bem e/ou pode melhorar.
O docente pode, também, incentivar o aluno no sentido de ser um bom 'falante', no sentido de se comunicar com coerência e coesão. Atividades como apresentações orais, seminários e debates, enfim, atividades que estimulem o aluno a se manifestar oralmente. E segue a mesma 'dica', faz-se necessário que o professor apresente ao aluno o feedback, para que o mesmo sinta segurança e estimulo para buscar aperfeiçoamento.
Lembrando que, todas estas habilidades, para serem desenvolvidas, partem, também, de um professor - leitor - ouvinte - escritor - falante.

Acredita-se que o ensino da Língua Materna é de responsabilidade de todos os professores e, não apenas dos professores de Língua Portuguesa. O aluno deve saber ler e entender o que está sendo lido, ou seja, ele precisa interpretar, conhecer o significado das palavras, o contexto, por isso os professores de outras disciplinas têm a responsabilidade de instruir seu aluno nesta prática de leitura e interpretação/compreensão. Se um aluno não consegue entender ou interpretar um problema matemático, de física, ou outro texto qualquer, ele será incapaz de resolver ou responder ao que está sendo pedido. Dessa forma, o ensino da L.M. é responsabilidade de todos, ou seja, todos os professores podem contribuir para uma formação de qualidade, fazendo com que seus alunos tornem-se seres 'pensantes ' e 'criticos' à medida certa.

Fala-se muito em interdisciplinaridade e ensino contextualizado, pode-se dizer que quando se ensina a gramática, partindo de assuntos de outras matérias ou assuntos que estejam relacionados ao contexto social é mais fácil para a compreensão do aprendiz.

Dentre muitas coisas que ouvia em sala de aula, lembro-me que certa vez ministrava aulas de Língua Inglesa e estávamos estudando as partes do corpo humano, e uma palavra muito comum, e acredito que VOCÊ já ouviu alguém pronunciá-la com a maior certeza de que é o correto: Brain = CÉREBRO, o que era pronunciado, CELEBRO. Impressionante que os alunos tinha convicção de que a pronuncia deles era a correta, é claro recorri ao dicionário para mostrá-los que nem sempre é o que parece...

Acredito que de alguma forma pude contribuir com a Língua Portuguesa...


A DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA DA FOLHA DE PAGAMENTO

   A desoneração tributária da folha de pagamento (COFINS, PIS-pasep, salário-educação e CSLL) pode, por um lado, estimular a produção/renda...