terça-feira, 16 de agosto de 2016

A prática de esportes na terceira idade

A era contemporânea caracteriza-se por diversas transformações: históricas, filosóficas, econômicas, políticas e sociais, as quais deixam um legado importante para a humanidade. E um dos fenômenos sociais que mais tem se destacado e demarcado seu espaço é o aumento acelerado da população de idosos, que ocorre praticamente em todo o mundo.
Estima-se que em 2025, 34 milhões de pessoas, ou seja, 15% da população brasileira, estarão com idade superior a 60 anos e, nesse período, ocorrerá um aumento de 6,5% de idosos ao ano e um decréscimo nos números absolutos de jovens entre 0 e 14 anos (GONÇALVES, 2001). Com o aumento crescente da população com idade superior a 60 anos, a geração de conhecimento sobre o processo de envelhecimento populacional e suas decorrências adquire significativa importância para o Brasil, a exemplo do ocorrido em países desenvolvidos.
Pode o fator idade pode representar um influenciador do processo de desenvolvimento da prática de esportes como natação e hidroginástica. Como orientar pessoas da terceira idade a praticar tais esportes e alcançarem melhor qualidade de vida?
Sabe-se que a prática de esportes desde a infância é uma das recomendações médicas no sentido de se adquirir desenvolvimento físico saudável. A prática de esportes também influencia em outros aspectos da vida humana. No entanto, ao se atingir certa idade muitos acreditam não precisarem mais praticar qualquer tipo de esporte. Atividades como natação e hidroginástica são grandes contribuintes não só para o desenvolvimento, mas, também, para o auxilio da cura de problemas respiratórios, musculares, ortopédicos, etc. Dessa forma, pessoas que atingiram a terceira idade têm nessas atividades grandes aliadas na conservação de sua saúde física, mental, etc., adquirindo, assim, melhor qualidade de vida.
Um dos aspectos importantes que mais vem sendo discutido pelos estudiosos do meio acadêmico que pesquisam sobre este tema, é que esta fase de vida não é alcançada de uma forma satisfatória sem que se façam presentes os surgimentos de problemas, quer sejam de ordem orgânica ou psicológica.
Segundo Vieira (1996) e Lopes (2000), os processos de envelhecimento se iniciam desde a concepção, sendo então a velhice definida como um processo dinâmico e progressivo no qual ocorrem modificações, tanto morfológicas, funcionais e bioquímicas, como psicológicas, que determinam a progressiva perda das capacidades de adaptação do individuo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos. Sociólogos e psicólogos chamam a atenção para o fato de que, além das alterações biológicas, podem ser observados processos de desenvolvimento social e psicológicos alterados em algumas das suas funções, como também problemas de integração e adaptação social do indivíduo.
Os efeitos do envelhecimento na aptidão física e na capacidade funcional têm sido bem descritos na literatura científica. Um dos efeitos do processo do envelhecimento no ser humano é a diminuição do nível de atividade física.
A hipótese biológica formulada para explicar o declínio do nível de atividade física com a idade cronológica seria a da dopamina, que age sobre algumas áreas específicas do cérebro, e que está relacionada com a motivação para a locomoção. No entanto, além do fator biológico, outros fatores não biológicos, como variáveis psicológicas, sociais e do ambiente físico, estão relacionadas ao nível de atividade física.
Um dos dados intrigantes descoberto em pesquisas sobre a relação entre atividade física e longevidade veio da evidência de que o estilo de vida sedentário tem um efeito no cumprimento dos telômeros dos leucócitos e, portanto, pode acelerar o processo de envelhecimento.
Com base nessa informação, pode-se inferir que as evidências epidemiológicas disponíveis sugerem fortemente uma associação inversa entre atividade física e mortalidade.
Dessa forma, os dados apoiam a necessidade do estímulo da atividade física regular especialmente após os 50 anos de idade, visto que, é a manutenção da atividade física regular ou a mudança para um estilo de vida ativo que tem um impacto real na saúde e na longevidade.
Os efeitos do envelhecimento na aptidão física e capacidade funcional (PARAHYBA et al., 2005; MCGUIRE et al, 2007) têm sido bem descritos na literatura científica. Um dos efeitos do processo do envelhecimento no ser humano é a diminuição do nível de atividade física (INGRAM, 2000; AL-HAZZAA, 2007). Dados do Estado de São Paulo (MATSUDO etal, 2002) evidenciaram que o nível de sedentarismo se manteve constante (5,4% a 9,6%) nos grupos de 15-29, 30-49, 50-69 e mais de 70 anos de idade. Os dados do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul - CELAFISCS desde 1997, sugerem que mulheres envolvidas regularmente em atividade física mantêm o perfil antropométrico estável durante o processo de envelhecimento independente da idade cronológica (MATSUDO et al., 2002). Ao verificar a evolução de nível de atividade física das pessoas com mais de 50 anos (MATSUDO et al., 2006) foi observado que a prevalência de pessoas ativas aumentou 61% aproximadamente, enquanto a de irregularmente ativas diminuiu 60,0%.
De acordo com estudos realizados pelo CELAFISCS a recomendação de atividade física para a saúde durante o processo de envelhecimento ou para o idoso segue as mesmas linhas de recomendação para a população geral, como a proposta em 1995 pelo Centers for Disease Control (CDC) e o American College of Sports Medicine e a American Heart Association (ACSM), e atualizada em 2007. De acordo com o Posicionamento Oficial de Atividade Física para o Idoso, do ACSM e a American Heart Association, e o posicionamento da American Heart Association sobre a recomendação de atividade física em saúde pública no idoso, a recomendação enfatiza quatro aspectos chaves para a promoção de um envelhecimento saudável:
ü  Atividades aeróbicas: para a promoção e manutenção da saúde o idoso deve realizar atividades aeróbicas de intensidade moderada (5 a 6 em uma escala de percepção de esforço de 0 a 10) pelo menos 30 minutos diários em cinco dias da semana ou atividade vigorosa (7 a 8 na escala de 10 pontos) por pelo menos 20 minutos por dia em 3 dias da semana;
ü  Fortalecimento muscular: exercícios com peso realizados em uma série de 10-15 repetições, de 8 a 10 exercícios que trabalhem os grandes grupos musculares, de dois a três dias não consecutivos;
ü  Flexibilidade: atividades de pelo menos 10 minutos com o maior número de grupos de músculos e tendões, por 10 a 30 segundos; em 3 a 4 repetições de cada movimento estático, todos os dias de atividades aeróbicas e de fortalecimento;
ü  Equilíbrio: exercícios de equilíbrio três vezes por semana.

Os efeitos benéficos da prática regular da atividade física têm sido amplamente estudados (MATSUDO et al., 2000; NELSON et al.,2007) e incluem:
·         Efeitos antropométricos: controle ou diminuição da gordura corporal; manutenção ou incremento da massa muscular, força muscular e da densidade óssea; fortalecimento do tecido conetivo; melhora da flexibilidade.
·         Efeitos metabólicos: aumento do volume de sangue circulante, da resistência física em 10-30% e da ventilação pulmonar; diminuição da freqüência cardíaca em repouso e no trabalho submáxima e da pressão arterial; melhora nos níveis de HDL (lipoproteínas de alta densidade) e diminuição dos níveis de triglicérides, colesterol total e LDL (lipoproteínas de baixa densidade), dos níveis de glicose – diminuição de marcadores anti-inflamatórios associados às doenças crônicas não transmissíveis; diminuição do risco de doença cardiovascular, acidente vascular cerebral tromboembólico, hipertensão, diabetes tipo 2, osteoporose, obesidade, câncer de cólon e câncer de útero.
·         Efeitos cognitivos e psicossociais: melhora da auto-estima, imagem corporal, estado de humor, tensão muscular e insônia; prevenção ou retardo do declínio das funções cognitivas; diminuição do risco de depressão; diminuição do estresse, ansiedade e depressão, consumo de medicamentos e incremento na socialização.
·         Efeitos nas quedas: redução de risco de quedas e lesão pela queda; aumento da força muscular dos membros inferiores e coluna vertebral; melhora do tempo de reação, sinergia motora das reações posturais, velocidade de andar, mobilidade, e flexibilidade.
·         Efeito terapêutico: efetivo no tratamento de doença coronariana, hipertensão, enfermidade vascular periférica, diabetes tipo 2, obesidade, colesterol elevado, Osteoartrite, claudicação e doença pulmonar obstrutiva crônica; efetivo no manejo de desordens de ansiedade e depressão, demência, dor, insuficiência cardíaca congestiva, síncope, acidente vascular cerebral, profilaxia de tromboembolismo venoso, dor lombar e constipação.
O “segredo do envelhecimento bem-sucedido” parece estar em garantir um estilo de vida ativo. As prioridades na prescrição da atividade física durante o processo de envelhecimento incluem inicialmente a realização de exercícios com peso e de equilíbrio para garantir força muscular e evitar as quedas, respectivamente. Atividades aeróbicas de baixo impacto como: Caminhar, Pedalar bicicleta, Natação, Hidroginástica, Dançar, Yoga, tai-chi-chuan, Ginástica aeróbica de baixo impacto. Atividades aeróbicas para estimular o sistema cardiovascular e respiratório, seguidos dos movimentos corporais totais podem garantir flexibilidade e mobilidade articular, para tanto são necessárias mudanças para adoção de um estilo de vida ativo.
De acordo com Freitas (2007), em pesquisa no Recife com 120 usuários de dois programas de exercícios físicos, diversos foram os motivos apontados para a adesão à atividade, dentre eles: a melhoria da saúde, do desempenho físico, a redução do estresse, o fato de adotar um estilo de vida ativo, a prescrição médica, ou para recuperação de lesões, alguns para melhoria de auto-imagem, além de melhoraria na auto-estima e relaxamento.
Os benefícios da natação e hidroginástica para a terceira idade são indiscutíveis. São atividades para serem praticadas durante toda vida. O benefício fisiológico é significativo, pois ativa a parte circulatória, o coração fica mais saudável, a pessoa dorme melhor, se alimenta bem. Quem pratica esporte, em qualquer faixa etária, tem maiores chances de permanecer saudável a vida inteira.
As atividades físicas aquáticas provaram ser eficazes no desenvolvimento e manutenção das potencialidades físicas e também orgânicas. Um componente desse grupo de atividades é a hidroginástica, que vem cada vez mais ganhando adeptos por todo o mundo. Segundo alguns especialistas, os exercícios aquáticos são mais divertidos, agradáveis, eficazes, estimulantes, cômodos e seguros.
Na hidroginástica, o principal objetivo é o condicionamento cardiovascular e muscular, por meio do treinamento em flexibilidade, coordenação motora e relaxamento. Segundo especialistas, a hidroginástica é extremamente eficaz no combate ao estresse, além de contribuir para uma melhor qualidade de vida dos indivíduos.
Em contraposição às atividades realizadas no solo, a prática da hidroginástica não é acompanhada por dores, transpiração e sensação de exaustão. Dentro da água, o indivíduo tem uma sensação de redução no peso, o que reduz de maneira importante a tensão nas articulações. Com isso, os exercícios realizados dentro da água são desenvolvidos com maior facilidade, aumentando o rendimento de quem pratica e possibilitando a prática de atividade por um período de tempo maior. Como o impacto é reduzido, as dores e os espasmos musculares pós-atividades praticamente não ocorrem. O gasto calórico médio é de 260-400 Kcal/hora.
Um benefício bastante agradável da hidroginástica é a massagem proporcionada pela água, por meio da pressão e da resistência. Isso garante um efeito suavizante sobre a musculatura, ajudando a aumentar a circulação periférica de sangue e aliviando as tensões.
A hidroginástica, quando praticada regularmente e de maneira adequada, permite melhora em dos componentes do condicionamento físico, que são:
Ø  Aeróbico: melhora a capacidade cardiovascular e pulmonar;
Ø  Composição Corporal: a relação entre a massa magra e a quantidade de gordura;
Ø  Resistência Muscular;
Ø  Força Muscular;
Ø  Flexibilidade;
Outra vantagem importante da hidroginástica é que ela é uma das poucas atividades que podem ser realizadas por indivíduos com pouco ou nenhum condicionamento físico. Com isso, pessoas de qualquer idade podem praticá-la. A hidroginástica trabalha os músculos, a capacidade cardiovascular, a flexibilidade e melhora o condicionamento físico, realizando um trabalho no meio líquido com baixo impacto e de forma prazerosa. É bastante indicada para pessoas na terceira idade, pelo baixo impacto das atividades e pela sensação de peso corporal aliviado. A resistência que a água oferece ao movimento é 7 vezes maior do que o ar, e a carga é exercida de maneira proporcional à força realizada, conferindo grande segurança e baixíssimo risco de lesões.
A população de faixa etária de 60 anos ou mais  é o grupo que apresenta maior crescimento populacional, isso ocorre por conta da longevidade e qualidade de vida com que esta população está vivendo. A hidroginástica nesta faixa etária contribui para melhor qualidade de vida, sendo uma atividade física benéfica tanto para a saúde mental como, também, para a saúde física de quem a pratica. Através de exercícios físicos é possível alcançar boa qualidade de vida.
Para as pessoas da terceira idade a vida pode ser um desafio, principalmente para os inativos, os quais sofrem de doenças crônicas. Por isso, atualmente o exercício físico é considerado um tratamento de prevenção, principalmente para as doenças do coração e diabetes, melhorando, assim, a expectativa de vida. A prática de exercícios físicos contribui para a manutenção das capacidades funcionais, tais como, andar e agachar e, ainda ajuda a diminuir os riscos causados por uma vida sedentária. Para as pessoas que se encontram na faixa etária da meia idade e praticam algum tipo de atividade física regulamente correrão menos risco de sofrer de limitações físicas quando chegarem à melhor idade. A hidroginástica torna pessoas da terceira idade mais aptas e saudáveis, proporcionando melhor qualidade de vida por conta dos benefícios que oferece.
As atividades mais recomendadas pelos médicos para essa faixa etária são exercícios na água, principalmente a natação e a hidroginástica, sendo a hidroginástica o exercício ideal para pessoas que possuem problemas ósseos como artrose e osteoporose. A hidroginástica propicia o emagrecimento geral, fortalecimento e resistência muscular, melhora da flexibilidade, melhora do equilíbrio e também da coordenação, diminuição do estresse, contribuição para a reabilitação física e condicionamento físico geral.
A prática de qualquer exercício físico melhora o humor por causa da liberação de endorfina no organismo, o qual causa a sensação de bem estar e relaxamento, reduzindo a ansiedade e o estresse e permite o aumento da funcionalidade do sistema imunológico acarretando benefícios cardiovasculares e facilita o controle da obesidade, proporcionando benefícios psicológicos como melhora da auto-estima.

* Pesquisa realizada pela professora Rita de Cassia Fernandes 


REFERÊNCIAS

AL-HAZZAA, H.M. Health-enhancing physical activity among Saudi adults using the International Physical Activity Questionnaire (IPAQ). Public Health Nutr. 10(1), 2007. p.59-64.

FREITAS, C.M.S.M. Aspectos motivacionais que influenciam a adesão e manutenção de idosos a programas de exercícios físicos. Desempenho Humano. 2007.

GONÇALVES, A.K. Novo ritmo da terceira idade. In: Pesquisa Fapesp, n. 67, p. 68, Ag. 2001.

INGRAM, D.K.; Age-related decline in physical activity: generalization to nonhumans. Med.Sci.Sports Exerc, 32(9), 2000. p.1623-9.

LOPES, A. Os desafios da gerontologia no Brasil. Campinas – SP: Alínea, 2000.

MATSUDO, S.M.; MATSUDO, V.R.; ARAUJO, T. et al. Nível de atividade física da população do Estado de São Paulo: análise de acordo com gênero, idade, nível socioeconômico, distribuição geográfica e de conhecimento. Rev. Bras. Cienc.e Mov. 10(4), 2002. p.41-50.

MATSUDO, S.M.; MATSUDO, V.K.R.; ANDRADE, E.L.; ANDRADE, D.R.; OLIVEIRA, L. Evolution of physical activity level of people over 50-years old involved in a community physical activity promotion program. Med Sci Sports Exer. 38(5 Suppl), 2006. p.S305.

MCGUIRE, L.C.; STRINE, T.W.; OKORO, C.A.; AHLUWALIA, I.B.; FORD, E.S. Healthy lifestyle behaviors among older U.S. adults with and without disabilities, behavioral risk factor surveillance system, 2003. Prev Chronic Dis 2007.

NATAÇÃO E HIDROGINÁSTICA. Disponível em: <http://bioqexercicio208.blogspot.com/2008/11/bebs-todas-as-faixas-etrias-tiram.html>. Acesso: 02.mai.2011

NELSON, M.E.; REJESKI, W.J.; BLAIR, S.N. et al. Physical activity and public health in older adults: recommendation from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association. Circulation. 166(9), 2007. p.1094-105.

PARAHYBA, M.I.; VERAS, R.; MELZER, D. Incapacidade funcional entre as mulheres idosas no Brasil. São Paulo: Revista de Saúde Publica/Journal Public Health, 39(3), 2005. p.383-91.
VIEIRA, E.B. Manual de gerontologia. Rio de Janeiro: Revinter, 1996.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

A economia brasileira


Seria necessário voltar muito no tempo, mais precisamente a partir da época em que o Brasil era apenas uma colônia de Portugal até o Governo de Getúlio Vargas, para uma melhor compreensão do histórico da inflação no cenário econômico brasileiro. Contudo a reflexão do presente trabalho data da década de 1990 e 2000 onde foi marcada pela introdução de uma série de mecanismos de flexibilização da relação trabalhista (contratos de prestação de serviços, contratos por tempo determinado etc.), pela flexibilização dos rendimentos, especialmente através de mecanismos de remuneração variável, e pela redução dos rendimentos do trabalho em termos reais.
As políticas regionais dos anos 1990, fortemente influenciadas pelas diretrizes do Consenso de Washington, limitaram-se ao comércio e fraquejaram nos momentos em que ocorreram crises financeiras internacionais. A desvalorização forçada da moeda brasileira em janeiro de 1999 foi fator que contribuiu para paralisar temporariamente o Mercosul.
Atualmente a desigualdade de renda no Brasil assemelha-se praticamente à mesma de décadas atrás, depois de o Brasil passar pelos mais diversos regimes monetários e cambiais e fases do ciclo econômico. De forma similar, a economia brasileira apresentou uma relativa taxa de estagnação da renda per capitaem meados da década de 1990.
Os graves desequilíbrios fiscais nas últimas décadas resultaram em inflação elevada ou em aumentos na relação dívida/PIB. Essas formas de acomodação são prejudiciais ao desenvolvimento. Taxas elevadas de inflação têm consequências negativas sobre a atividade econômica.
A década de 1990 foi palco de mudanças na política de comércio exterior brasileira. O período caracterizou-se por um processo de abertura comercial abrangente, iniciada no governo Collor e estendida até o governo Fernando Henrique Cardoso. Percebe-se que no desenrolar dos fatos os governos procuraram manter uma estratégia desenvolvimentista, porém, esta se tornou inconsistente, tendo em vista que a dívida já era muito alta.  Porém, ao mesmo tempo notam-se as ideias liberais adotadas pelos mesmos.
A economia brasileira encontrava-se em um contexto econômico adverso, tendo em vista que a globalização financeira e produtiva desenvolvia-se rapidamente, exigindo que as autoridades monetárias tomassem decisões arrojadas, tais como a estabilização da economia, no sentido de preparar o país para a inserção no mercado internacional. Neste contexto, programou-se um conjunto de políticas econômicas culminando com o Plano Real.
Contudo, foi a partir de 1994, com a estabilização afinal alcançada através do Plano Real, a economia voltou a crescer ao que tudo indica de forma sustentada, terminando afinal a grande crise. As quedas das tarifas nominais de importação já haviam sido iniciadas no final dos anos 80, mas foi em 1994-1995 que elas foram fortemente reduzidas, prejudicando sobremaneira o saldo do balanço de pagamentos.
Em suma, o diagnóstico macroeconômico dos primeiros anos da década apresentava:
  • Aceleração de uma taxa de inflação extremamente elevada;
  • Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP), no conceito operacional, modestas, pois a inflação facilitava o ajuste das contas públicas, conforme explicaremos em seguida;
  • Taxa de câmbio extremamente desvalorizada, reflexo ainda da contração do mercado de crédito externo ao país na década de 80;
  • Situação de tranquilidade nas contas externas.
Com a queda da inflação, em contraste com o período imediatamente anterior, o desempenho macroeconômico no primeiro mandato de Fernando Henrique foi o inverso do observado nos primeiros anos da década, e pode ser descrito por meio das características:
  • Inflação baixa (para os padrões brasileiros) e declinante;
  • Elevado desequilíbrio nas contas públicas (sucessiva piora nos resultados primários);
  • Taxa de câmbio significativamente sobrevalorizada;
  • Deterioração dos resultados em transações correntes.
A política econômica, a partir de então, passa a ser caracterizada pelos seguintes objetivos:
  • Metas de déficit resultado primário, ou seja, comprometimento com uma maior austeridade fiscal;
  • Aprovação de reformas;
  • Adoção de um sistema de metas de inflação;
  • Câmbio flutuante.
Nesse sentido, observam-se os percalços de uma política que navegou ao sabor das diretrizes políticas e econômico-financeiras internacionais. Uma sucessão de políticas econômicas inconsistentes com os desejos constantemente anunciados pelo governo em promover a prosperidade econômica, principalmente a partir de empreendimentos privados.
A estratégia privatização mostrava-se contraditória com a condução da política econômica em toda a década de 90. As altas taxas de juros praticadas no período direcionaram a poupança privada para o financiamento público. Essa distorção implicou em escassez de crédito para o setor produtivo, bem como na mudança no próprio direcionamento das atividades deste, por exemplo, com empresas aplicando no mercado financeiro em vez de investir nas suas atividades, por conta de retornos financeiros altamente atraentes.

REFERÊNCIAS
CARNEIRO, Ricardo. Impasses do desenvolvimento brasileiro: aspectos estruturais.

BARBOSA, Nelson. SOUZA, Jose Antonio Pereira de. A inflexão do governo Lula: política econômica, crescimento e distribuição de renda.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Jornalismo Cultural



Livro: Jornalismo Cultural
De: Daniel Piza

Por Sergio Areda

O livro Jornalismo Cultural, do autor Daniel Piza, é composto de 4 capítulos denominados respectivamente:  Pontos luminosos, De pólos e tribos, Contraclichê, Aqueles foram os dias. Cada capítulo contém textos bem elaborados e concisos, que explicam o que é jornalismo cultural.
O primeiro capítulo, Pontos luminosos, relata a história do jornalismo cultural que data de 1711, período em que os ensaístas ingleses Richard Steele e Joseph Addison fundaram a revista The Spectator. Frequentemente Richard Steele e Joseph Addison relatavam a difícil adaptação do homem do campo quando chegava a Londres, ou seja, um jornalismo cultural direcionado à avaliação de ideias, valores e artes, pós-renascimento, interesse em mudar a filosofia e a formalidade das escolas, faculdades entre outras instituições.
Em Pontos luminosos o autor descreve Dr. Johnson como o primeiro grande crítico cultural, pai de todos os críticos europeus, americanos e, até mesmo, brasileiros. Este capítulo é encerrado com o relato do jornalismo cultural no Brasil, composto de lances peculiares, os jornais e revistas dão mais espaço ao crítico profissional e informativo que não só analisa, mas reflete sobre a cena literária.
Em “De pólos e tribos”, o autor destaca o jornalismo cultural brasileiro a partir da chegada da arte moderna (séc. XX) e a crise das transformações de identidade que, por sua vez, encaixa nas teorias defendidas por Walter Benjamim, Theodor, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Leo Lowenthal, Fraz Neumann, Friedrich Pollok, Erich Fromn dentre outros pensadores da Escola de Frankfurt, como “indústria cultural”. Daniel Piza faz essas observações a respeito de estratégias didáticas que o profissional de comunicação tem que ter. Isto é, estar atento ao mercado para não usar de preconceito e parcialidade no campo jornalístico. O autor utiliza o termo “preconceito às avessas” para analisar a cultura. A colocação que Piza faz se refere à forma que as pessoas associam a cultura: “ainda pertencente à elite, interfase intelectual, coisa inatingível e complicada”. O mesmo critica os meios de comunicação, bem como os cadernos diários que, de forma crescente, valorizam as celebridades, ao apresentar material que dominam as tabelas de consumo cultural, banalizando a cultura.
Ainda neste capítulo, Daniel Piza faz referência, também, aos cadernos semanais, onde a crítica está superficial e limitada em classificações como bom, muito bom, excelente ou ruim; celebridades e baixa qualidade de avaliação de produtos são temas que se tornaram frequentes nos jornais e revistas; desencorajamento em escrever sobre obras que são de qualidade e menos conhecidas, as que não pertencem à massa. Além disso, os chamados Segundos Cadernos precisam escapar das oposições, como elitismo e populismo, variedades e erudições, nacional e internacional. É necessário um equilíbrio entre esses temas: nutrir da expansão de horizontes do conhecimento, conhecer as diferentes culturas estrangeiras, sem esquecer, da nacional.
O terceiro capítulo traz exemplos de duas histórias que envolvem festivais artísticos, além de apresentar características inerentes a um bom texto crítico e um bom crítico: clareza, coerência e agilidade e também deve informar ao leitor. É mostrado também um exemplo de uma resenha na íntegra, do que pode desinteressar o leitor.
Um tópico importante no livro é que o autor apresenta dez dicas para profissionais que pretendem fazer uma boa reportagem ou entrevista. Daniel Piza comenta que muitos pensam que o jornalista cultural leva uma “doce vida”, mas não é exatamente assim, estes profissionais correm riscos, como o de confundir a amizade com a crítica, generalizar demais, atacar o autor, e não a obra.
No quarto e último capítulo Daniel Piza descreve suas experiências como jornalista cultural. O autor expressa que a cultura não é somente o erudito, o que se engloba no culto, mas também o popular e o pop. Piza ressalta que há uma vasta variedade de cultura no Brasil, que possui uma gama de material cultural, o que possibilitaria a produção de muitas matérias por dia. De forma realista, o autor retrata, através de textos ricos, dados que evidenciam o que é jornalismo cultural. O autor busca o princípio do interesse pelos assuntos culturais, e induz o leitor a uma reflexão do que é realmente cultura, o que a maioria das pessoas entende como cultura, e o que o jornalista deve se apropriar para mediar essa cultura à sociedade.
Piza sempre se refere à banalização de temas culturais, sem perder a oportunidade de fazer alusão sobre a televisão brasileira e às músicas pop, isto é, a cultura massiva em geral. Para Daniel Piza jornalismo cultural não é somente levar ao leitor um informativo qualificado, mas também fazer crítica construtiva ao mundo da cultura.
Em suma, o jornalista tem que saber produzir um texto que tanto o intelectual quanto o leigo possa assimilar.


REFERENCIA


PIZA, Daniel. Jornalismo Cultural. 3 ed. São Paulo: Contexto, 2007.

sábado, 30 de maio de 2015

CRIMINOLOGIA: A SERVIÇO DA JUSTIÇA


O sistema criminal brasileiro vem enfrentando uma grave crise. Esta afirmação é comprovada em muitos trabalhos científicos que analisam a capacidade atual do funcionamento deste sistema.
 Não há vagas para todos os presos nas penitenciárias, o que faz com que muitos fiquem instalados em condições subumanas nas delegacias de polícia. Ainda existe uma infinidade de mandados de prisão expedidos e não cumpridos. Se assim ocorresse, não haveria vagas para todos.
            Nos planos legislativo, executivo e judicial, o que se encontra é grande dificuldade no manejo das respectivas funções de cada agente público envolvido.
            O representante do Ministério Público (MP) que atua na área criminal é um agente importante no sistema criminal brasileiro. É a intervenção do MP que dá impulso à maior parte dos processos criminais no Brasil e sua ação eficaz em situações como o combate das atividades ilícitas das facções criminosas, não pode ser esquecida pela Criminologia.
No entanto, qual é a contribuição da Criminologia para as ações do Ministério Público? No estudo do sistema criminal, a Criminologia tem um papel central de mostrar a realidade criminal como, verdadeiramente, ela é, sem as distorções e os subjetivismos, próprios da análise de cada órgão de combate à criminalidade.
Nesse sentido, o objetivo deste estudo é investigar a história, conceitos e definições da Criminologia, sua atuação enquanto Ciência, e ainda, sua contribuição para o efetivo trabalho do Ministério Público.

 
I – CRIMINOLOGIA

            De acordo com Bujan (1999), a função essencial da Criminologia Moderna consiste em analisar o fenômeno do crime em interação social, inclinando-se a ser uma ferramenta para a preservação dos direitos humanos e das garantias fundamentais dos cidadãos.

1.1 – O que é Criminologia?

Etmologicamente o termo deriva do latim crimino (crime) e do grego logos (estudo). Portanto, é o "estudo do crime".
Uma das características mais destacadas da Criminologia Moderna - e do perfil de sua evolução nos últimos anos - é a progressiva ampliação e problematização do seu objeto.  Quando surgiu, a criminologia buscava explicar a origem do ato criminal, fazendo uso do método das ciências naturais, a etiologia, ou seja, buscava a causa do delito. Crendo que erradicando a causa se eliminaria o efeito.
Cabe falar, desde logo, de uma ampliação do seu objeto porque as investigações criminológicas tradicionais versavam quase que exclusivamente sobre a pessoa do delinquente e sobre o delito. Em consequência, o atual redescobrimento da vítima e os estudos sobre o controle social do crime representam uma positiva extensão da análise científica para âmbitos outrora desconhecidos. E essa ampliação tem, sobretudo, uma leitura "qualitativa": exprime um significativo deslocamento dos centros de interesses criminológicos (da pessoa do delinquente e do delito à vítima e à prevenção e controle social) e, inclusive, uma nova autocompreensão da Criminologia, que assume um enfoque mais dinâmico, pluridimensional e interacionista.
A Criminologia é uma ciência empírica que se baseia na observação, nos fatos e na prática, mais que em opiniões e argumentos, é interdisciplinar e não só se ocupa do crime, senão também do delinquente, da vítima e do controle social do delito. Como interdisciplinar, por sua vez é formada por outra série de ciências e disciplinas, tais como a biologia, a psicopatologia, a sociologia, política, a antropologia, o direito, a filosofia dentre outras.

1.2 – Criminologia: história e conceito

A Criminologia é dividida em escola clássica (Beccaria, séc XVIII), escola positiva (Lombroso, séc, XIX) e escola sociológica (final do séc XIX).
A partir de meados do século XX, apresenta-se uma mudança de paradigma na ciência criminológica fixando sua atenção nos processos de criminalização, no ambiente social, mas estuda também a vítima.
No âmbito acadêmico a Criminologia começa com a publicação da obra de Cesare Lombroso chamada "L'Uomo Delinquente", em 1876. Sua tese principal era a do delinquente nato.
Baseado em Rousseau, a função da Criminologia era procurar a causa do delito na sociedade; Já, segundo Lombroso, para erradicar o delito era necessário encontrar a eventual causa no próprio delinquente e não no meio.
Enquanto um extremo procurava todas as causas da criminalidade na sociedade, o outro investigava o arquétipo do criminoso nato, ou seja, um delinquente com determinados traços morfológicos.
No entanto, com o passar do tempo e o avanço de estudos sobre o assunto, tanto as tendências sociológicas, quanto as orgânicas fracassaram.
Atualmente fala-se no elemento biopsicossocial. Volta a tomar força os estudos de endocrinologia, que associam a agressividade do delinquente à testosterona (hormônio masculino), os estudos de genética ao tentar identificar no genoma humano um possível conjunto de "genes da criminalidade" (fator biológico ou endógeno), e ainda há os que atribuem a criminalidade meramente ao ambiente, como fruto de transtornos como a violência familiar, a falta de oportunidades, etc.
Como em outras ciências, também em Criminologia se tem tentado eliminar o conceito de "causa", substituindo-o pela ideia de "fator". Isso implica no reconhecimento de não apenas uma causa, mas, sobretudo, de fatores que possam desencadear o efeito criminoso (fatores biológicos, psíquicos, sociais...). Uma das funções principais da Criminologia é estabelecer uma relação estreita entre três disciplinas consideradas fundamentais: a psicopatologia, o direito penal e a ciência político-criminal.
Outra atribuição da Criminologia é, por exemplo, elaborar uma série de teorias e hipóteses sobre as razões para o aumento de um determinado delito. Os peritos em criminologia se encarregam de dar esse tipo de informação a quem elabora a política criminal, os quais, por sua vez, idealizarão soluções, proporão leis, etc. Esta última etapa se faz através do direito penal. Posteriormente, outra vez mais, o criminólogo avaliará o impacto produzido por essa nova lei na criminalidade.
Interessam ao criminólogo as causas e os motivos para o fato delituoso. Normalmente ele procura fazer um diagnóstico do crime e uma tipologia do criminoso, assim como uma classificação do delito cometido. Essas causas e motivos abrangem desde avaliação do entorno prévio ao crime, os antecedentes vivenciais e emocionais do delinquente, até a motivação pragmática para o crime.

1.3 - Criminologia enquanto Ciência e Disciplina

A Criminologia é uma ciência moderna, sendo um modo específico e qualificado de conhecimento e uma sistematização do saber de várias disciplinas. A partir da experimentação desse saber multidisciplinar surgem teorias (um corpo de conceitos sistematizados que permitem conhecer um dado domínio da realidade).
Segundo Mannheim (1985) a Criminologia é uma ciência que, reúne informações válidas, confiáveis e contrastadas sobre o problema criminal, que são obtidas graças a um método que se baseia na análise e observação da realidade. Não se trata, pois, de uma "arte" ou de uma "práxis", senão de uma genuína "ciência". Precisamente por isso a Criminologia dispõe de um objeto de conhecimento próprio, de métodos e de um sólido corpo doutrinário sobre o fenômeno delitivo, confirmado, por certo, ou seja, enquanto ciência, a Criminologia possui objeto próprio e um rigor metodológico que inclui a necessidade de experimentação, a possibilidade de refutação de suas teorias e a consciência da transitoriedade de seus postulados. Ainda que interdisciplinar é também ciência autônoma, não se confundindo com nenhuma das áreas que contribuem para a sua formação e sem deixar considerar o jogo dialético da realidade social como um todo.
No entanto, Mannheim (1985) afirma que, isso não significa que a informação subministrada pela Criminologia deva ser reputada exata, concludente ou definitiva. Pois a Criminologia é uma ciência empírica, uma ciência do "ser", não uma ciência "exata".
A Criminologia, em primeiro lugar, não esgota sua tarefa na mera acumulação de "dados" sobre o delito, e sim deve transformar estes dados em informação, interpretando-os, sistematizando-os e valorando-os. Porque não existe o terreno neutro e pacífico do dado, salvo que se confunda o método empírico com o empirismo crasso ou que se invoque aquele como base de decisões ideológicas já adotadas. O "conhecimento" científico da realidade, por outro lado, é sempre parcial, fragmentado, provisório, fluido e os campos próprios das diversas disciplinas que versam sobre o homem e a sociedade, estreitamente relacionados entre si, se ampliam e se modificam sem cessar.
De sorte que o saber empírico, outrora paradigma de exatidão, tornou-se cada vez mais relativo e inseguro: é um saber provisório, aberto. Já não visa descobrir as férreas leis universais que regem o mundo natural e social (relações de causa e efeito), senão que parece conformar-se com conseguir uma informação válida, confiável, não refutada, sobre a realidade. Não busca exatidão, senão probabilidade, não fala de "causa" e "causalidade", senão de outros tipos de conexões menos exigentes (fatores, variáveis, correlações etc.).
Em parte isso se deve à evidência de que o homem transcende à "causalidade", à "reatividade" e à "força", porque é sujeito e não objeto do acontecer e da história. E seu comportamento, sempre enigmático, corresponde a razões muito complexas e incertas. Porém a citada crise do "paradigma causal-explicativo" e das limitações do método empírico pode ser observada, também, não só no campo das ciências sociais e das da conduta, senão no das denominadas - em outra época - ciências "exatas". A moderna teoria da ciência e o crescente auge dos métodos estatísticos e quantitativos demonstram o triunfo avassalador de um novo modelo de saber científico, mais relativo, provisório, aberto e inacabado.
Em consequência, a cientificidade da Criminologia só significa que esta disciplina, pelo método que utiliza, está em condições de oferecer uma informação válida e confiável – não refutada - sobre o complexo problema do crime, inserindo os numerosos e fragmentados dados obtidos sobre ele em um marco teórico definido. A correção do método criminológico garante o rigor da análise de seu objeto, porém não pode eliminar a problematicidade do conhecimento científico nem a necessidade de interpretar os dados e formular as correspondentes teorias.
A relevância da Criminologia reside no fato de que não existe sociedade sem crime. Ela contribui para o crescimento do conhecimento científico com uma abordagem adequada do fenômeno criminal. O fato de ser ciência não significa que ela esteja alheia a sua função na sociedade. Muito pelo contrário, ela filia-se ao princípio de justiça social.

1.4 – A Criminologia é Interdisciplinar

Os estudos em Criminologia se dividem em dois ramos que não são independentes, mas sim interdependentes. Temos de um lado a Criminologia Clínica (bioantropológica) - esta faz uso do método individual, (particular, análise de casos, biológico, experimental), que envolve a indução. Por outro lado está a Criminologia Geral (sociológica), esta utiliza-se do método estatístico (de grupo, sociológico, histórico) que enfatiza o procedimento de dedução.
A interdisciplinaridade é uma perspectiva de abordagem científica envolvendo diversos continentes do saber. Ela é uma visão importante para qualquer ciência social.
A Criminologia em suas pesquisas se engaja em diálogo tanto com disciplinas das Ciências Sociais ou Humanas quanto das Ciências Físicas ou Naturais.
Entre as áreas de estudo mais próximas da Criminologia, observa-se:

  • Direito penal: o principal ponto de contato da Criminologia com o Direito Penal está no fato de que este delimita o campo de estudo da Criminologia, na medida em que define juridicamente a conduta delituosa; O Direito Penal é sancional por excelência; Ele caracteriza os delitos e, através de normas rígidas, prescreve penas que objetivam levar os indivíduos a evitar essas condutas.
  • Direito Processual Penal: a Criminologia fornece os elementos necessários para que se estipule o adequado tratamento do réu no âmbito jurisdicional. Também indica qual a personalidade e o contexto social do acusado e do crime, auxiliando os juristas para que a sentença seja mais justa. A Criminologia oferece os critérios valorativos da conduta criminosa. Esta, pesquisa a eficácia das normas do Direito Penal, bem como estuda e desenvolve métodos de prevenção e ressocialização do criminoso.
  • Direito Penitenciário: os dados criminológicos são importantes no Direito Penitenciário para permitir o correto e eficaz tratamento e ressocialização do apenado. A Criminologia ajuda a tornar a pena mais humana, buscando o objetivo de punir sem castigar.
  • Psicologia Criminal: é ciência que demonstra a dimensão individual do ato criminoso; estuda a personalidade do criminoso, orientando a Criminologia.
  • Psiquiatria Criminal: é o ramo do saber que identifica as diversas patologias que afetam o criminoso e envolve o estudo da sanidade mental.
  • Antropologia Criminal: abrange o fenômeno criminológico em sua dimensão holística, ou seja, biopsicosocial. É o Estudo do homem na sua história, em sua totalidade (homem como fator presente no todo);
  • Sociologia Criminal: demonstra que a personalidade criminosa é resultante de influências psicológicas e do meio social;
  • Ciências Biológicas: fornecem os elementos naturais e orgânicos que influenciam ou determinam a conduta do criminoso;
  • Vitimologia: estuda a vítima e sua relação com o crime e o criminoso (estuda a proteção e tratamento da vítima, bem como sua possível influência para a ocorrência do crime);
  • Criminalística: é o ramo do conhecimento que cuida da dinâmica de um crime. Estuda os fatores técnicos de como o crime aconteceu. Há um setor especializado da polícia destinado a essa área.
II – A CRIMINOLOGIA CONTRIBUINDO PARA O EFETIVO TRABALHO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NA ÁREA CRIMINAL

            É sabido que cabe ao Ministério Público, como instância formal de controle do crime, a função de deduzir a acusação ou ordenar o arquivamento do processo penal. A importância do MP como instância de seleção advem do fato de este ser o canal de acesso do sistema jurisdicional de resposta ao crime e, por isso, o responsável pela ‘mortalidade’ dos caso criminais.
Segundo Sessar (apud, DIAS, 1997), se a vitima é a instância mais importante quanto à iniciativa de controle do crime, o MP é seguramente mais importante no que diz respeito a seu desfecho.
Uma das áreas de grande valor para a aplicação da Criminologia é o Tribunal do Júri, visto que, em vários casos muitos advogados criminais, apelam para a Criminologia com intuito de conseguir provas quanto à inocência do réu.
Na execução penal a atuação da Criminologia é de fundamental importância. Cita-se como exemplo o trabalho de Jason Soares de Albergaria que fez uso da Criminologia juntamente com suas teses criminológicas, para traçar um discurso equilibrado quanto à execução penal.
Outro campo produtivo para a aplicação da Criminologia é o Juizado Especial Criminal, pois neste, vitima e acusado interagem no sentido de buscar a solução do conflito. O Promotor de Justiça que atua no Juizado Especial Criminal é um mediador e deve saber interpretar o conflito, tendo como respaldo dados da Criminologia.
O crime organizado é outro ponto que mostra a importância do saber criminológico. A Criminologia aponta as situações jurídicas que podem ser enquadradas como atividades de organizações criminosas, visto que, não existe definição legal do que seja ou não crime organizado no Brasil.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Criminologia enquanto Ciência trata da pesquisa do controle da criminalidade, tendo, atualmente, como objeto: o delito, o delinquente, a vítima e o controle social.
O Ministério Público atuante na área criminal exerce crucial importância na aplicação das orientações criminológicas, visto que o MP tem atuação funcional em áreas cada vez mais diversificadas, sendo elas: Tribunal do Júri, Juizado Especial Criminal, Execução Penal, Crime Organizado, dentre outros; onde o conhecimento da Criminologia tem sido importante para sua melhor atuação.
O sentimento de que Criminologia não deve ficar reclusa, apenas em uma de suas tendências, contribui de maneira muito intensa, para travar, nos últimos tempos, o desenvolvimento do movimento crítico, que caminhava para o radicalismo.
O reconhecimento do caráter interdisciplinar e multidisciplinar da Criminologia e o seu aprofundamento garantem a esta Ciência o seu maior relacionamento e afinidade com a ideologia social e o modelo social.

REFERÊNCIAS

ALBERGARIA, J. Jornal do Sindicato dos Promotores e Procuradores de Justiça do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, novembro de 2003.

BUJAN, J.A. Elementos de criminologia em la realidad social – uma contribución a la sociologia jurídico-penal, Buenos Aires, Ábaco Rodolfo Depalma, 1999

DIAS, Jorge de Figueiredo; ANDRADE, Manuel da Costa. Criminologia– O homem delinqüente e a sociedade criminógena. 2ª reimpressão, Coimbra, 1997, p471.

MANNHEIN, Hermann. Criminologia Comparada. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1985.


Observatório da Criminologia. Disponível em: <http://www.novacriminologia.blogspot.com/> Acesso em: 05.jul.2010.

sábado, 16 de maio de 2015

A META


A Teoria das Restrições, foi introduzida em 1984 no livro "A Meta", de Eliyahu M. Goldratt e Jeff Cox onde expuseram uma teoria de gerenciamento sob a narrativa de uma história a respeito de um gerente de fábrica. Esta fábrica estava com grandes problemas e em perigo iminente de ser fechada pela direção. A fábrica foi salva por deixar de lado práticas gerenciais tradicionais apreciadas, que estavam criando terríveis dificuldades.
O Livro A META, explica através da ciência e da educação, a melhor forma de gerar “lucro” a uma empresa, mostrando que se pode com poucas hipóteses esclarecer uma grande quantidade de fenômenos industriais. Utilizando conceitos socráticos e pensamento dedutivo, Eli Goldratt questiona as bases fundamentais do pensamento de gestão e questiona não as práticas de gestão, mas sim as teorias que a formam.
O livro A Meta, relata a história do gerente de uma fábrica, Alex Rogo, que está passando por dificuldades no processo de administração da mesma.
O gerente possuía em sua fábrica, máquinas de última geração e serviço de mão de obra o suficiente para que o processo produtivo de sua empresa cumprisse os prazos de entrega dos pedidos. Porém, não era o que acontecia.
Um dos aspectos negativos era que a empresa não apresentava ganhos. Havia estoque de refugos da produção e constantes atrasos na entrega dos pedidos, o que gerava um mínimo retorno para a fábrica de montagens.
Além de todas as dificuldades internas da empresa, Alex ainda está passando por problemas no casamento em virtude da pressão sofrida no trabalho. Nesse contexto, o gerente sofre mais uma pressão, ou seja, recebe a visita de Bill Peach, Vice Presidente da UNICO, a matriz da fábrica onde Alex gerencia.  
Bill Peach, exige que Alex apresente uma solução para que a fábrica se estruture e passe a gerar bons resultados dentre de um período de três meses, caso contrário esta seria fechada. Após receber o ultimato do vice-presidente da empresa, Alex passa a pensar como salvar a fábrica e lembra que em uma viagem que fizera encontrara com seu antigo professor da faculdade de física, Jonah e que lhe havia dito como estava o funcionamento de sua fábrica. 
Alex então, contando as dificuldades que passava na administração de sua fábrica e falando da alta tecnologia que possuía com seus robôs em sua produção e o quanto eles eram eficientes, foi surpreendido por Jonah com uma pergunta: QUAL É A META DA SUA EMPRESA? Alex então começou a lhe dar uma série de respostas onde Jonah sempre colocava em questão o fato de ele ter toda a tecnologia e mão de obra especializada e a fábrica não gerar os resultados esperados.
Depois da conversa que tivera com Jonah, Alex passa a ter várias dúvidas e novamente procura Jonah para esclarecê-las. Alex não tinha tempo para resolver todos os problemas, e estava desesperado, pois a fábrica não conseguia apresentar resultados e sua vida pessoal, seu casamento estava à beira de acabar, visto que, ele não tinha tempo para sua família.
No entanto, sabendo que não poderia continuar com toda aquela pressão psicológica em que se encontrava, resolveu reunir sua equipe e expor o que estava acontecendo. Relatou acerca do prazo que seu vice-presidente dera para que fossem solucionados os problemas da empresa, e a possível desativação da fábrica. Contudo, ele falou também de Jonah, seu professor de física da faculdade, com quem tivera uma conversa sobre os problemas relacionados com a fábrica.
Após a exposição de toda a situação de Alex e a fábrica, sua equipe, formada por Stacey Potazenik que administrava o controle do inventário, Lou que era da contabilidade e Bob que trabalhava na produção com os robôs reuniu-se e colocou Alex a par de tudo o que havia em sua fábrica. A pedido de sua equipe, Alex procurou Jonah novamente.
Neste momento, Jonah explica três regras operacionais para gerenciamento de uma empresa. São elas: ganho, inventário e despesa operacional.

·         Ganho:índice pelo qual a empresa ganha dinheiro através das vendas.
·         Inventário:investimento de dinheiro na compra de coisas que se pretende comprar.
·         Despesa operacional: dinheiro que a empresa gasta a fim de transformar o inventário em ganho.

Porém, Alex percebe que a fábrica não apresentava ganhos, tinha altíssimo inventário, vários empregados tinham um tempo ocioso e a despesa operacional era alta.
Destarte, ao voltar à empresa, Alex explica as três regras para sua equipe que coloca várias restrições quanto à implantação das mesmas na fábrica. Após muita conversa, sua equipe passa a entender a necessidade e a aplicação que essas regras teriam na fábrica e que se poderiam mudar muitas coisas dentro da empresa e passam a adotá-las comprometendo-se para que essas regras funcionem.
Assim, Alex e sua equipe começam a traçar a meta da empresa, que era obter ganhos. Porém, surge o questionamento, COMO?
Alex procura Jonah novamente e durante a conversa, Jonah cita flutuações estatísticas e eventos dependentes, eventos aos quais Alex, junto com sua equipe deveria dar atenção na fábrica com relação aos equipamentos. Jonah, antes de se despedir disse a Alex que não havia um sistema perfeito de produção como ele imaginava: não se pode igualar a demanda com a produtividade.
Em um final de semana, Alex acompanha seu filho em uma excursão, e é aí que ele entende os conceitos de flutuação estatística e eventos dependentes percebendo que durante o passeio, na fila formada pelos escoteiros, existia jovens com passos diferentes, ou seja, as flutuações estatísticas; e notou que o andar de um jovem dependia do ritmo dos outros: eram eventos dependentes e começou a pensar em como implantar isso na sua empresa.
No meio da excursão com os garotos, Alex percebe que a fila dispersara e que eles não estavam conseguindo alcançar a velocidade de que se precisava para terminar o percurso no tempo determinado. Nesse contexto Alex percebeu a necessidade de mudança na ordem da fila para que a caminhada se tornasse mais rápida. Mais não foi o suficiente. Herbie, um garotinho com peso acima da média que fazia parte da excursão fora passado a líder e mesmo assim, não houve grande alteração na velocidade com que a fila andava. Alex, percebendo que o garoto fazia um enorme esforço pediu que os companheiros andassem atrás de Herbie. A fila continuou sem dispersão, mais os garotos diminuíram sua velocidade, pois Herbie não conseguia andar mais que já estava andando. Foi então que Alex pediu para que a tropa parasse e foi pedir Herbie sua mochila para que ele a levasse afim de que Herbie pudesse caminhar melhor. Aí foi a surpresa: a mochila de Herbie pesava muito e isso o atrapalhava na caminhada. Alex então passa a dividir os pertences de Herbie para toda a turma. Herbie passa então a caminhar mais rápido.
Voltando à fábrica, Alex relata a experiência em relação às flutuações estatísticas e eventos dependentes e disse que era preciso identificar dentro da fábrica esses problemas que poderiam estar tanto nos operários quanto nas máquinas.
Nessa oportunidade, Jonah percebendo que Alex apresentava interesse, explicou-lhe com maiores detalhes a Teoria das Restrições ou TOC (Teory of Constraints), como identificar as flutuações estatísticas e evento dependente em sua fábrica lhe explicando o que seria gargalo e não gargalo sendo: os não-gargalos, que não atrasavam o processo de fabricação das peças, e os gargalos que necessitavam de mais tempo para finalizar determinada peça, e por isso deveriam funcionar a todo o momento.
É válido mencionar que a TOC classifica a capacidade de um recurso em 3 classes:
1. Capacidade produtiva – é a capacidade que a empresa irá efetivamente usar do recurso, que ele processará peças.
2. Capacidade protetiva – é a capacidade a mais necessária nos recursos não-restrição para que eles não interrompam o fluxo produtivo, para que eles não parem a restrição.
3. Capacidade ociosa – é a diferença entre a capacidade disponível e as capacidades produtiva e protetiva, é o que sobra.
O tamanho da capacidade protetiva depende de:
·         Nível das flutuações estatísticas, quanto pior a qualidade do processo, maior terá que ser essa capacidade;
·         Quantidade de estoque em processo, quanto maior o estoque em processo, menor pode ser essa capacidade. Porém, o aumento do estoque em processo nunca poderá eliminar a capacidade protetiva, pois para isso seria necessário um estoque infinito.
Assim, Alex faz a comparação do gargalo com o garoto Herbie da excursão, onde sua equipe começa a entender realmente do que Alex falava. Todos saíram da sala de reuniões para identificar os “HERBIES” (gargalos) no processo da fábrica.
Na semana seguinte, a equipe se reúne novamente e chegam à conclusão de que dois gargalos foram encontrados, eram a máquina NCX-10 e o alto-forno onde as peças ficavam um tempo maior para serem processadas e acabadas. Identificaram que o problema da NCX-10 era que, como sendo um gargalo, sua produção não poderia parar em hipótese alguma, pois era ela que ditava o ritmo das demais demandas da produção, ela era um gargalo e determinava a capacidade efetiva da fábrica. No entanto, havia um problema, os operários, de acordo com o contrato feito com o sindicato, teria que ter a cada 4 horas trabalhadas, 20 a 30 minutos de descanso e era justamente nesse tempo que a máquina parava, pois não havia operário para operá-la.
Surge aí mais um problema Alex resolver. As peças ficavam estocadas aos montes do lado da máquina NCX-10 porque enquanto ela estava parada, os outros operários e máquinas trabalhavam normalmente gerando acúmulo do material que dependia da NCX-10 para ser acabado e liberado para outro processo. O fluxo deveria ser menor do que a demanda, pois assim não teria como se ter peças estocadas e perder dinheiro. As peças que faltavam na empresa com frequência, passavam pela NCX-10 (gargalo) o que atrasava a entrega dos pedidos e a produção.
A necessidade da fábrica naquele momento era aumentar o ganho e melhorar o fluxo de caixa e para isso Jonah sugeriu que aumentasse a capacidade da fábrica. Mais como fazer isso se não havia dinheiro para comprar mais máquinas? O problema era que os gargalos não estavam mantendo um fluxo suficiente para satisfazer a demanda e ganhar dinheiro. O objetivo então era encontrar capacidade suficiente para que os gargalos se tornem iguais à demanda. Para que isso ocorresse era preciso verificar a qualidade das peças que entravam nos gargalos para que não gerasse refugos como vinha acontecendo, evitando assim a perda de tempo no processo e a peça que no caso seria de um custo alto sendo fabricada em grande quantidade como estava sendo. Jonah então sugeriu: certificar de que o tempo do gargalo não estava sendo desperdiçado (como disse anteriormente em relação às paradas dos operário), outra coisa era o processamento de peças que já apresentavam defeitos e a terceira era fazer o gargalo trabalhar em peças que não tinha necessidade naquele momento. A equipe de Alex tinha que fazer com que os gargalos trabalhassem apenas no que se precisava para o dia e deveria tirar cargas dos gargalos e passa-las para os não gargalos.
Adotando estas medidas e várias outras, Alex e sua equipe, comprometidos no processo de melhoria, conseguem reduzir o inventário e aumentar os ganhos apesar de inicialmente a eficiência ter tido uma pequena queda salvando a empresa de um possível fechamento e consegue ainda, manter esse processo. Com o sistema implantado em sua fábrica e com a continuidade de seu trabalho com sua equipe, Alex consegue a promoção de que sempre quis, foi promovido a Diretor da divisão ao qual pertencia sua fábrica e consegue manter seu casamento
A Meta fornece a imagem do funcionamento de uma fábrica através do olhar do seu Diretor. Um ponto de vista que pode ser extremamente útil para diretores assim como para empregados. Goldratt desafia os empregados a deixarem de fazer coisas “porque sempre assim foram feitas” e os diretores a mudarem políticas e procedimentos que não gerem pensamentos renovadores e inovadores. Ao apontar as falhas do atual sistema e a lógica fundamental que o pode melhorar, Goldratt mostra que o “senso comum”, não é assim tão comum.


REFERÊNCIAS

GOLDRATT, Eliyahu M. e COX, Jeff. A Meta. São Paulo, IMAM, 1990.


TOC CASE STUDY. Unided States Airhealthcare system, 1999.

A DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA DA FOLHA DE PAGAMENTO

   A desoneração tributária da folha de pagamento (COFINS, PIS-pasep, salário-educação e CSLL) pode, por um lado, estimular a produção/renda...